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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Entrevista: Flávio Augusto, proprietário do Orlando City Soccer


Uma liga que objetiva ser uma potência no cenário da bola até 2022. Uma nova equipe que tem como proprietário um verdadeiro empreendedor. Novos contratos de televisão e uma modalidade cada vez mais popular entre os norte-americanos.
Major League Soccer e Orlando City Soccer estão hoje no centro das atenções dos fãs brasileiros de futebol. A chegada de Kaká ao clube da Flórida em 2015 deverá trazer novos torcedores tupiniquins ao clube, que tem como um dos focos mercadológicos o próprio Brasil. Misturando estes ingredientes, entrevistamos Flávio Augusto, que vislumbrou uma excelente oportunidade na cidade e adquiriu o Orlando City em 2013. Confira:
MKT Esportivo – Flávio, a partir de qual fato, momento ou oportunidade, seus olhos brilharam para que você chegasse ao Orlando City? Conte-nos um pouco sobre seu caminho até adquirir o clube e o planejamento para se alcançar a MLS.
Flávio Augusto - Meu filho mais velho (14) joga futebol. Como moramos 3 anos em Orlando, entre 2009 e 2012, durante os fins de semana, o acompanhei por vários torneios na Flórida e fiquei impressionado com a grande quantidade de pessoas envolvidas com o futebol. Encomendei uma pesquisa e fiquei impressionado com os dados. Nos EUA, o futebol é o esporte mais praticado entre mais de 20 milhões de pessoas em todo país. Ao ampliar a pesquisa sobre o futebol profissional, percebi que a liga é a terceira no mundo em taxa de ocupação e a quinta em média de torcedores no estádio. A MLS tem 9 vezes mais público médio do que o campeonato Carioca e quase 6 vezes mais público que o campeonato Paulista. Isso me levou a concluir que o futebol nos EUA era um fenômeno ainda não percebido pelo mundo e que investir neste projeto representaria uma grande oportunidade de negócios.
Hoje, um dos assuntos mais comentados na mídia especializada é o boom de crescimento que atravessa a Major League Soccer, seja de público nos estádios, audiência e, principalmente, a popularização do soccer em um país que “conheceu” o futebol após sediar uma Copa do Mundo (em 1994). Com apenas 18 anos de idade, a liga norte-americana pode realmente se tornar em breve uma potencia no cenário futebolístico? Há um diferencial em relação a ligas como Premier League e Bundesliga?
Ano após ano, o futebol cresce nos EUA muito mais do que a média mundial. Alguns números: tanto na África do Sul como no Brasil, os EUA ocuparam a primeira posição como compradores de ingressos, com cerca de 200 mil ingressos comprados. Além disso, as audiências dos jogos dos EUA e a final, alcançaram índices superiores as finais da NBA e World Series (baseball). Além disso, a média de público da MLS é aproximadamente 19 mil torcedores, cerca de 50% a mais do que a média do campeonato brasileiro que, em 2013, foi de cerca de 12.500 torcedores por jogo. No mês passado, para receber o Kaká, quase 12 mil pessoas ocuparam as ruas de Orlando, bem como mais de 30 mil frequentaram as nossas festas de rua para assistir aos jogos da Copa.  As maiores ligas do mundo são aquelas que têm o maior faturamento e que tem poder econômico para atrair os melhores jogadores, portanto, os EUA, maior mercado de marketing esportivo do mundo, agora junto com o maior esporte do mundo, soma todos os fatores para que a MLS se torne uma liga grandiosa; É apenas uma questão de tempo, pouco tempo, para ter uma das mais importantes ligas de futebol do mundo. Em 2014, fizemos uma renovação de nossos direitos de TV com um contrato 8 vezes maior que o ano anterior. A previsão é que o mesmo aconteça na próxima renovação em 2022, o que dará a liga o poder econômico necessário para a contratação das maiores estrelas mundiais.
No livro “A bola não entra por acaso”, de Ferran Soriano, ex-vice presidente de marketing do Barcelona e hoje Chief Executive do Manchester City, ele trata a contratação de Ronaldinho Gaúcho pela equipe espanhola em 2003 como o pilar de sustentação esportiva e econômica do clube para o início de sua reestruturação e uma posterior fase de títulos e melhor saúde financeira. A figura do Kaká, pentacampeão do Mundo, eleito Melhor Jogador do Mundo pela FIFA, com apenas 32 anos e ainda atuando em alto nível, pode desempenhar papel similar no Orlando, sendo o carro-chefe da equipe tanto dentro quanto fora de campo?
Kaká será a grande estrela do time, tanto dentro, quanto fora de campo. E mais do que isso, ele é um atleta interessado em fazer parte deste projeto. Será uma troca, pois ele tem tudo para também plantar os pés em uma das ligas que mais cresce no mundo.

 
Apesar das contratações de Villa e Lampard, o nome mais midiático e de maior impacto da MLS para 2015, por enquanto, é o de Kaka. O brasileiro pode se aproximar das façanhas da passagem de David Beckham, que revolucionou a Major League Soccer no âmbito esportivo (títulos, novas regras) e comercial (licenciamento e audiência)?
Como disse antes, Kaká tem tudo para se tornar parte do processo de expansão da MLS.   
O Orlando City tem como diferencial poder conquistar brasileiros, norte-americanos e até mesmo torcedores globais. Como trabalhar a adesão e manutenção de fãs que por ventura não estarão nos Estados Unidos para acompanhar o clube de perto? As redes sociais do Orlando (que hoje somam quase 900 mil de seguidores, entre Twitter e Facebook) serão fundamentais neste aspecto?
Orlando já recebe 60 milhões de visitantes todos os anos. Só pra você ter uma dimensão deste número, o Brasil inteiro recebe por ano menos de 10 milhões de turistas. O grupo que mais se destaca dentre os turistas internacionais, tanto em quantidade como um gasto médio do turista, é o turista brasileiro, o que já nos deixa um passo a frente desse approach com o público. Além das redes sociais, que são atualmente ferramentas fundamentais para o diálogo com o fã/torcedor/consumidor nós também temos uma agência de marketing esportivo e uma equipe de profissionais extremamente gabaritados responsáveis por desenvolver nosso plano de expansão por meio de inúmeras ações, desde parcerias com agências de viagens até a criação de escolinhas de futebol por todo o mundo. 
A visão do esporte como entretenimento e com papel direto na geração de receitas é o grande diferencial do esporte norte-americano, vide os playoffs e All Star da NBA e o Super Bowl na NFL. Como empresário você enxerga uma falha na gestão dos clubes brasileiros em não tratar o jogo como um espetáculo e o torcedor como um real consumidor?
Particularmente, embora seja inevitável, não gosto de fazer comparações. Penso que o Brasil e EUA trabalham com modelos completamente diferentes. Nos EUA, os clubes são de propriedade de bilionários apaixonados pelo esporte e que, de forma sustentável, têm administrado a liga de forma que grande parte dos clubes seja lucrativa, já que cada proprietário responde com o seu patrimônio pessoal pelo clube. No Brasil, cada novo dirigente de um clube assume a dívida do dirigente anterior que acaba por acumular passivos e incalculáveis ano após ano. Nos EUA, vejo a torcida comparecendo em massa, apaixonados pelo clube. Diferentemente do que muitos pensam, o fato de um clube ter um proprietário não muda em absolutamente nada a paixão com a qual uma torcida se dedica a sua equipe do coração, ao contrário, facilita com que se pense mais no torcedor, já que ele é fonte de lucro, digamos assim. Por outro lado, o acúmulo de frustrações causadas pela gestão de uma entidade sem fins lucrativos que remunera de forma milionária os seus funcionários (jogadores), mas que são dirigidas por presidentes que sequer têm um salário, ou seja, são políticos e nem sempre gestores capacitados, tudo isso provoca uma combinação repleta de conflitos de interesses e que a longo prazo nos trouxe aonde chegamos atualmente no futebol brasileiro. 
Em recente entrevista a Veja, você afirmou que o Orlando City pode ter mais torcedores que Corinthians e Flamengo, dois dos clubes mais populares do Brasil. Para que isso se torne realidade, há uma necessidade latente no coração do torcedor brasileiro não satisfeita pelos clubes e que o Orlando estrategicamente pode suprir?
Quando mencionei essa possibilidade, em nada tem a ver com a paixão dos brasileiros ou com suas frustrações, mas sim com o potencial que existe nos EUA baseado em sua população. Os EUA possui um mercado de 300 milhões de consumidores de classe média e que já sabem como se relacionarem com marcas de esporte. Se conquistados, nos permitirá ter mais torcedores que muitos clubes no Brasil 
Por fim, o teto salarial, divisão igualitária dos direitos de Tv, possibilidade de três jogadores Tops no elenco, acordo de exclusividade com a adidas e certo equilíbrio de valores nos patrocínios de uniforme, colaboram para maior competitividade e interesse do fã do esporte na MLS ou a popularidade de uma modalidade está diretamente ligada a transmissão e exposição na televisão?
As razões que você menciona fazem parte da infraestrutura oferecida ao torcedor. Se o torcedor enxerga espaço para se divertir em família, ir ao estádio com segurança, conforto, ter acesso aos mais variados produtos do seu time, acompanhar uma liga em que os times respeitam os torcedores, inclusive com uma administração transparente, isso atrai o público. As TVs estão aumentando o espaço em suas grades para o soccer porque perceberam que é isso que o público quer ver e não o contrário. Mas claro que, com a transmissão e a exposição, essa “atração” é potencializada.

Fonte: MKT Esportivo

Um comentário :

  1. Parabéns Ruany. O site tá fera!
    Sucesso.
    Abs

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