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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Exclusivo! A Evolução do Marketing no Futebol Brasileiro – Com João Henrique Areias

Continuando o nosso ciclo semanal de entrevistas exclusivas com profissionais do esporte, nesta semana tivemos o imenso prazer de conversar com o grande percursor do MKT Esportivo no Brasil, João Henrique Areias.
João Henrique Areias é consultor e professor de gestão e marketing esportivo em MBAs de instituições de ensino como Trevisan, Facha e FGV. Também ministra seu próprio curso de Gestão e Marketing Esportivo de curta duração (8h), tendo realizado 16 edições até o momento em todo o Brasil. É membro acadêmico da ABRAESPORTE e consultor do Diário Lance! para artigos sobre gestão e marketing esportivo. 
Trabalhou durante 12 anos na IBM (1975-1987), nas áreas de vendas, marketing e comunicação. Em 1987, iniciou sua carreira na indústria do esporte, como  Diretor de Marketing do Clube dos 13 e Vice Presidente de Marketing do Flamengo onde, também, exerceu cargos de diretoria  no Departamento de Futebol (2004) e no Departamento de Esportes Olímpicos (2009). Desenvolveu e comercializou  diversos projetos esportivos, como o Plano de Marketing da Copa União 87 (campeonato brasileiro de futebol) que viabilizou o Clube dos 13, sendo o primeiro evento esportivo oficial, financiado exclusivamente pela iniciativa privada no Brasil. Além de ter publicado dois livros – Uma Bela Jogada e Marketing no Pais do Futebol.
Em nossa longa conversa, tivemos a oportunidade de abordar diversos pontos dos trabalhos que desenvolveu no decorrer de sua carreira e também suas pespectivas de futuro para o MKT Esportivo no Brasil.
Leia a entrevista, na integra, abaixo:
FutGestão: Quando pensamos no inicio do MKT Esportivo no Brasil, impossível não lembrar da Copa União de 87 e consequentemente de João Henrique Areias. Como foi para você viabilizar o primeiro campeonato nacional 100% financiado pela iniciativa privada?
JH: A Copa União 87 estabeleceu um marco no marketing esportivo brasileiro, por ter sido o primeiro campeonato brasileiro - principal evento esportivo do Brasil - a ser financiado com recursos exclusivamente vindos da iniciativa privada. A CBF, até então a organizadora do evento, contava  com recursos da Caixa e do Ministério da Educação para pagar as despesas de viagens e estadias dos clubes e árbitros, que montava cerca de 1 milhão de dólares​.
No final do primeiro semestre, a CBF, até então comandada pela dupla Nabi Abi Chedid e Otávio Pinto Guimarães, veio a público declarar que não teria os recursos financeiros e que não haveria campeonato brasileiro naquele ano. Os 13 maiores clubes do país, fundaram o Clube dos 13 e após algumas reuniões, com o apoio da imprensa e da opinião pública, me solicitaram um Plano de Marketing. Apresentei aos clubes e, junto com Celso Grellet, diretor de marketing do São Paulo, fomos ao mercado e captamos 6 milhões de dólares em um mês da TV Globo, que transmitiu pela primeira vez o campeonato inteiro, Coca Cola nas camisas dos clubes, Varig - transportadora oficial e as licenciadas Editora Abril (álbum de figurinhas) e Dover (adesivos com marcas, escudos e mascotes dos clubes).
Vale lembrar que em 1984, 3 anos antes, tivemos o primeiro evento mundial patrocinado pela iniciativa privada que foram o Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984.
FutGestão: Em um capítulo do seu livro você relata algumas ações que teve com a seleção de 94, ações estas, pioneiras na época aqui no Brasil e que foram conduzidas sempre em conjunto, ou seja, a seleção como um grupo e não com jogadores individualmente. Conte um pouco dessa história.
JH: Foi a primeira vez (e creio que a última) que uma só pessoa/empresa representou todos os jogadores e comissão técnica da seleção. 
Procuramos ​manter a união da equipe mesmo nos contratos publicitários envolvendo suas imagens. Foram 10 clientes; Brahma, Alpargatas, Rider, Philips, Mitsubish TV, Gillette, Editora Abril, Editora Panini, Multieditora e Upper Deck. A Brahma por exemplo só queria os atacantes Romário, Bebeto, Raí e Zinho. Depois de fazermos os 4 contratos, convencemos a empresa a contratar os demais jogadores e ela assim o fez, mesmo não utilizando a imagem de alguns, mas ajudando a preservar a união e espírito de equipe.
FutGestão:  Ainda pegando um gancho com a pergunta anterior, o Areias nunca gostou de conduzir a Carreira de atletas, com uma exceção, o Sávio. Por que o Sávio?
JH: Logo que voltei dos meus 3 anos vivendo nos EUA, depois de ter trabalhado com Pelé e a Seleção Brasileira Tetra Campeã do Mundo, recebi a visita do Sávio que iniciava sua ​participação no time profissional do Flamengo. Expus a ele que não representava jogadores, mas podia fazê-lo desde que ele procurasse permanecer o máximo de tempo nos clubes e tivesse um comportamento normal extra campo. Assim começou uma parceira que segue até hoje, mesmo depois que ele parou em 2010. Sou padrinho do Breno seu filho mais velho e meu filho é padrinho do Lucas, filho mais novo do Sávio.
FutGestão:  De todas as experiências sua no futebol. Qual você destacaria como a mais gratificante que realizou?
JH: Difícil dizer. 
O Clube dos 13 foi marcante, mas o sonho de criar uma liga esvaiu-se no ano seguinte. Fizemos o mesmo projeto com o basquete em 1995, mas uma mudança na presidência em 1997 interrompeu uma caminhada de sucesso.
Com jogadores, o projeto da Seleção Brasileira ​em 1994, foi inédito e gerou bons resultados, culminando com a conquista do título depois de 24 anos.
Finalmente, o projeto da Arena Petrobras em 2004, deu os sinais do que seria a administração de uma arena moderna. Os detalhes estão no site http://www.arenapetrobras.com/.
FutGestão:  Hoje você já tem um nome de destaque no mercado graças ao trabalho que desenvolveu no decorrer dos anos e também que vem desenvolvendo atualmente. Em sua opinião, quais as diferenças do mercado de 20 anos atrás para o de hoje? (Pontos positivos e negativos)
JH: Avançamos um pouco. Vários bons profissionais vão surgindo e se interessando por este mercado que cresce exponencialmente e apresenta muitas oportunidades.
De negativo, o modelo gestão atrasado que deu certo até os anos 80, mas que com a entrada de patrocinadores, televisão, agentes de jogadores exige a profissionalização dos dirigentes num novo modelo de gestão.
FutGestão: Qual sua visão de futuro na relação dos Clubes e o MKT?
JH: Creio que com os mega eventos esportivos que estão acontecendo​ no Brasil, as novas arenas, os clubes terão de se profissionalizar. Com a profissionalização dos dirigentes os profissionais de marketing vão poder planejar e atuar com mais eficácia.
FutGestão:  Compartilhe com os leitores, o que o Areias está fazendo atualmente e o que ainda ambiciona para sua Carreira?
JH: Atualmente me dedico à consultoria (no segundo do semestre de 2013 estive ajudando a organizar a gestão da Arena do Grêmio, principalmente na área de Negócios (marketing, comunicação e comercial)), palestras e meu curso de Gestão e Marketing Esportivo que já está na 16a. edição como podem ver no meu site http://www.marketingesportivo.org/ , que conta com cerca de 5 mil membros.​
FutGestão:  Para finalizar, mande um recado para todos os leitores do FutGestão que certamente o admiram e respeitam toda sua história no esporte.
​ JH: Minha mensagem é de otimismo. As oportunidades são incontáveis. Estamos no limiar da mudança do modelo de gestão das nossas entidades esportivas, que vão necessitar de profissionais bem preparados.​
Agradecemos demais ao Areias pela oportunidade de nos compartilhar todas essas histórias e ensinamentos, dizer também, que esta entrevista será um marco para todos nos do FutGestão em termos de aprendizagem, você é uma pessoa muito importante para o Futebol no Brasil e que deveria ser mais valorizado por todos nós do Esporte!

Saudações,
Ruany Veríssimo

2 comentários :

  1. Ruany, eu é que agradeço a oportunidade. Sucesso!
    Postei no meu site www.marketingesportivo.org
    Saudações esportivas,
    JH Areias

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  2. Bela entrevista, fico muito feliz em ter acesso a entrevista de um dos principais nomes da gestão e marketing esportivo do Brasil.
    Estou cursando Marketing, me no fim de 2016 e em 2017 já pretendo fazer a pós em Gestão e Marketing Esportivo.
    Gostei muito da frase que disse: "Minha mensagem é de otimismo. As oportunidades são incontáveis."
    Posso dizer uma coisa, aprendi muito lendo essa entrevista.
    Grande abraço.

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