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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Academia L!: A dificuldade de captação de recursos no futebol brasileiro

João Henrique Areias, especialista em marketing, faz um comparativo do momento financeiro delicado dos clubes com a Europa

Os clubes brasileiros, afundados em dívidas de diversos tipos, encontram cada vez mais dificuldades na hora de captar recursos para a montagem de elencos competitivos e ampliação de patrimônio. Raros são os exemplos de prosperidade nesse assunto.

O PROFISSIONALISMO E GLOBALIZAÇÃO DOS CLUBES EUROPEUS
Enquanto os clubes europeus ingressam na 3ª onda da globalização, o futebol brasileiro tentar entrar na 1ª onda. Classifico a 1ª onda como organização do produto futebol. Calendário adequado, bons estádios e espetáculos, ingredientes mínimos para ativar o torcedor nos estádios ou simplesmente acompanhando os jogos pela TV, rádio ou a internet.
A 2ª onda veio com a profissionalização dos clubes europeus a partir dos anos 80, aperfeiçoando sua gestão e buscando novas receitas de marketing, como direitos de transmissão, patrocínios, licenciamento, franquias de lojas dos clubes, receitas de estádio/arena e sócio-torcedor, voltados, ainda, para seus mercados internos.
No início deste século, Manchester United (modelo empresarial) e Real Madrid (modelo associativo), foram precursores na expansão das suas marcas para os mercados externos, a globalização, particularmente o mercado asiático com foco na China e o americano.

Diria que a inspiração foi a NBA que globalizou a sua marca vendendo, por exemplo, os direitos de transmissão da liga de basquete para países africanos por valores simbólicos. Nos jogos olímpicos de 1982, pela primeira vez, levaram a força máxima de seu basquete, buscando o reconhecimento internacional para sua marca, com o slogan Dream Team, que reunia atletas como Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird & Cia, tornando-os celebridades mundiais, já que os jogos são o evento de maior visibilidade no mundo.

Tudo pensado e planejado. Pesquisas, objetivos bem definidos (expansão do mercado), estratégias bem elaboradas (ótimas equipes, bons espetáculos, eventos) e objetivos alcançados.

Com excelentes equipes, vendas de direitos de transmissão para o exterior bem executadas e pré-temporadas nos mercados alvos, com jogos amistosos contra equipes locais ou mesmo equipes de reconhecimento internacional, formaram a receita para a implantação de escolinhas, introdução de produtos licenciados, sócios torcedores e, consequentemente, o posicionamento como um veículos de comunicação internacional, atraindo patrocinadores destes países, interessados em associar seus produtos e divulgá-los juntos aos públicos que simpatizam com estas equipes.

O Brasil está longe da 1a onda. Somos exportadores de matéria-prima ao invés de espetáculos. Estamos atrás, em média de público dos campeonatos de futebol dos EUA e da Austrália. E a questão não é econômica. Estamos entre as dez economias e mercado publicitário do mundo.

A questão é um modelo de gestão ultrapassado, baseado em dirigentes voluntários, eleitos a cada 3 anos.

Como primeiro passo, o governo tem uma oportunidade única de influenciar esta situação, visto que os clubes têm enormes dívidas com o fisco. Para ajudar os clubes a pagarem, pode exigir a mudança de modelo, simplesmente colocando os dirigentes eleitos num Conselho de Administração como nas grandes empresas e a nomeação de uma Diretoria Executiva profissional, como acontece no Real Madrid e Barcelona, clubes associativos como os nossos.

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