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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Chegou o momento do Choque de Gestão no Futebol Brasileiro?

Por: Isaías Tinoco

 
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) abriu as portas para que os Clubes e seus representantes, profissionais de diversas áreas, atletas, árbitros, imprensa e estudiosos apresentassem sugestões para o(s) próximo(s) Campeonato(s) Brasileiro(s). Repare que este é um saudável caminho para a reestruturação do futebol o que me trouxe um lampejo de mudança em pontos críticos e polêmicos.  

Não sou representante de ninguém, mas tomo a iniciativa de destacar e desde já, agradecer. É uma ação elogiável dos novos gestores do futebol, me parece que depois de muitos anos a oportunidade de críticas e sugestões esta desembarcando no mundo privado do futebol. Outro exemplo é a criticada (às vezes em excesso) Federação de Futebol do Rio de Janeiro (FERJ), que através de iniciativa inédita, tem passado a limpo o futebol Carioca, com o "I Fórum de Debates do Futebol Carioca" para os Clubes, imprensa, mídias sociais, árbitros, atletas e convidados de diversos segmentos. Tenho acompanhado os debates pelo portal da FERJ, e se o nível dos debates ainda não supera as expectativas, pelo menos tem assuntos críticos sendo abordados de forma aberta e construtiva.  Há de se registrar a ausência dos presidentes dos grandes Clubes, na totalidade, assim como dos executivos para discutir e corrigir propostas sobre os diversos eventos propostos, o que não irá justificar críticas futuras.

Assim, encaminhei a CBF uma serie de tópicos para não perder a oportunidade de participar e colaborar, pois o pior defeito do crítico é a omissão no exercício do debate.  Aspectos administrativos e técnicos foram levados em consideração para atualizar o sistema que carece de um choque de gestão. 

Eis as minhas sugestões: 

·       Confiscar os pontos das equipes em atraso com salários de funcionários, comissão técnica e atletas. É um modelo já utilizado em São Paulo com relativo sucesso e reduziu, significativamente, o atraso dos Clubes com as obrigações trabalhistas. A devolução dos pontos confiscados ao Clube que der quitação as dividas dos e salários e encargos no prazo estabelecido pelo regulamento da competição da CBF me parece uma medida saudável que dará a todos maior segurança.

·       Os Clubes deveriam receber aval específico da CBF, após apresentarem a certidão negativa de débitos, o nada consta (com salários de funcionários, comissão técnica e atletas) para participar dos eventos da CBF e Federações no mínimo até a segunda quinzena de Janeiro) no ano de 2015.

·       O Clube que demitir um membro da comissão técnica e / ou a comissão técnica, só poderá substituir com novas contratações, se, comprovadamente, quitar as verbas das rescisões contratuais dos demitidos.

·       Membros da comissão técnica que se demitirem de um Clube só poderão assinar com Clube de outra série, assim não teremos solução de continuidade no trabalho executado, e terminará com os privilégios de em uma mesma temporada o profissional trabalhar em três ou mais clubes diferentes. Diminuiria a oscilação técnica da competição garantindo a evolução do trabalho em todos os níveis.

·       As inscrições para o Campeonato Brasileiro deveriam ser aceitas até o final da janela de transferência da FIFA no meio do ano, incentivando a utilização de atletas jovens (base) e obrigando a um planejamento eficaz e eficiente sem o desequilíbrio financeiro para grandes, médias e pequenas marcas.   

Urge retornar ao critério do atleta jogar somente por uma equipe durante a mesma competição sendo vedada a participação em outra equipe da mesma serie, na mesma temporada. O limite de sete jogos para impedir a transferência para outro Clube não trouxe o desempenho desejado tanto no aspecto técnico quanto na expectativa da formação do elenco, deixando muitas vezes os Clubes fragilizados para prosseguimento do campeonato.

·     A implantação da súmula eletrônica(Já utilizado em Sã Paulo com eficácia) para evitar falhas de preenchimento e de condições de jogo, além de agilizar as informações e  documentação do evento a ser submetida ao protocolo,  departamento de registro e departamento jurídico da CBF.

·     Maior rigidez nas vistorias e aprovação dos estádios(legado da Copa do Mundo) nos quesitos  acesso, instalações e gramados, afim de proporcionar aos atletas e profissionais(sem exceção)  envolvidos na partida conforto digno, privacidade e desempenho técnico ideal, esta vistoria deveria ser feita por uma equipe multidisciplinar credenciada pela CBF, antes e durante a competição. Desta equipe deveria constar obrigatoriamente de dirigentes da CBF, representantes do CREA, representantes dos  bombeiros, representante do Sindicato dos Atletas, representante da Associação Brasileira de Treinadores, representante da Arbitragem, Engenheiro Agrônomo, representante do CREF, representante do CRM, representantes da imprensa, entre outros.

·       Urge, retomar a utilização máxima de dois estrangeiros por relação de jogo para maior insistência e investimento nas  categorias de base dos Clubes que sofrem hoje por falta de uma política de produção, visto que confunde o dirigentes com a velocidade do jogo seguinte. A forma atual inibe a formação na base devido a fatores econômicos de curto prazo que produzem efeitos danosos ao sistema em médio prazo.

·     Criar a escola de treinadores da CBF com o intuito de credenciar técnicos para atuar nas diversas séries do campeonato brasileiro. Os credenciados para a série A poderão atuar em todas as séries. Os da serie B somente poderão atuar nas series B, C, D e assim sucessivamente. O credenciamento a principio dar-se-ia por tempo de serviço, experiência profissional(direito adquirido) e currículo. Durante os dois primeiros anos do regulamento, prazo que a CBF teria para organizar cursos de treinadores e gestores com matriz curricular e carga horária especificas para cada série. 

Eis a minha colaboração para ser discutida. O certo é que precisamos de um choque de gestão para retornar a excelência que sempre produzimos, em se tratando de futebol. É óbvio que não sou o dono da verdade, pois tem efeitos jurídicos a serem discutidos. Mas fica a proposta para que nos comentários, você leitor assíduo do FutGestão faça as devidas críticas, sugestões, correções e propostas.

3 comentários :

  1. Espero que você esteja correto com a intenção da FERJ em realizar este Fórum de Debates, mas como você bem disse as pessoas nestas horas tem que mostrar sugestões e as que foram feitas são extremamente pertinentes e equilibradas, nada que não seja exequível. Vamos aguardar se atenderão os seus pedidos de mudança para a melhoria do nosso futebol.

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  2. Ótimas colocações professor Isaías.

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  3. marcello fernandes29 de outubro de 2014 18:39

    Parabéns Professor , sempre preciso .

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