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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

E como fica o esporte com as eleições?

A grande pergunta para os profissionais do desporto brasileiro é como o esporte será tratado pelos dois candidatos ao governo após as eleições. Nosso consultor e colaborador Rafael Maioral nos trás a sua análise sobre a proposta de Aécio Neves e Dilma Rousseff.

De um lado, a candidata do PT possui como principais bandeiras as mesmas da eleição de 2010: foi no governo do PT que o Brasil foi condecorado com a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Se a Copa não foi um sucesso incontestável, também esteve longe de ser o fracasso que alguns proclamaram com antecipação.
Os Jogos Olímpicos do Rio 2016, que no começo do ano flertaram o limiar do Comitê Olímpico Internacional cogitar a mudança de sede devido aos constantes atrasos, parece ter acertado o prumo, e as últimas notícias têm sido positivas.
O programa de governo Dilma, ao tratar de esporte, segue a diretriz dos outros campos do governo Petista. Fala-se em muito investimento, em que “esporte e cultura foram pela primeira vez política de Estado”, como se pouco restasse a ser feito.
É razoável que se atribua ao carisma do ex-presidente parcela pela vitória nas Olimpíadas e na Copa do Mundo. Se é inegável que o PT tem méritos na vinda dos dois grandes eventos para o Brasil, também é a irresponsabilidade no descontrole dos gastos. Ninguém tem certeza de quanto foi exatamente a conta da Copa do Mundo. Sabe-se que foi caro, e muito, muito acima do orçamento.
Em termos olímpicos, o Bolsa Atleta é interessante, e o recente programa Pódio Olímpico também. Ambos oferecem condições – possivelmente como “nunca antes na história desse país – para que grandes atletas brasileiros de esportes olímpicos tenham condições financeiras adequadas para competir de igual para igual com grandes atletas do mundo. Embora amplo e de louvável iniciativa, é questionável o quanto da imagem positiva do programa deve aos esforços de marketing do governo, e o quanto é mensurável em termos de resultados.
Basta lembrar o caso de Arthur Zanetti, ginasta medalhista de ouroem Londres, e campeão mundial, que expôs sua insatisfação quanto às suas condições de treinamento após a medalha de ouro em Londres. Não foi um caso isolado. Do que é mensurado, o Brasil ganhou 17 medalhas na última Olimpíadas. Se o número foi recorde, por outro ficoumuito longe de impressionar e abaixo das projeções realizadas. Basta encarar o fato que em Atlanta, 1996, foram 15 medalhas (3 ouros, 3 pratas e 9 bronzes), e em Londres 3 ouros, 5 pratas e 9 bronzes. Dezesseis anos depois, melhoramos duas pratas.
Uma das principai smetas do Governo para os próximos quatro anos é ficar entre os 10 primeiros no Jogos Olímpicos Rio 2016. E entre os 5 nos Jogos Paralímpicos. Independente de alcançar á essa meta ou não, a pergunta quefica é: e depois? Será o Brasil uma China, que conquistou resultados acima da média em Beijing, e manteve o nível em Londres, ou uma Grécia, que obteve grandes resultados em casa (Atenas 2004) e despencou nos Jogos seguintes?
Dilma fala em investimentos de R$ 1 bilhão no Plano Brasil Medalhas 2016, que estimulará 21 modalidades olímpicas e 15 paraolímpicas. Garante a construção de 285 unidades dos Centros de Iniciação ao Esporte (CIE) em 163 municípios de todos os estados e no Distrito Federal.
A verdade é que, na base, ainda estamos longe, muito longe, dos investimentos que o país precisa. O DeCanhota sonha que o esporte caminhe ao lado da educação nas escolas, como parte da formação do cidadão, e permaneça forte no Ensino Universitário. Há de se questionar o que foi feito nessas áreas.
O candidato Aécio Neves dedica uma página e meia ao esporte em seu plano de governo, tentando se posicionar também como uma opção de voto no “social”, tema em que o governo atual possui grande representatividade. O esporte é visto como “objeto de políticas públicas e como instrumento da formação educacional e da integração social”.
Suas políticas esportivas são pouco detalhadas. O candidato se compromete a realizar com sucesso os Jogos Olímpicos, e “fomentar à integração do atual modelo de formação dos atletas brasileiros com as escolas e as universidades”, sem entrar em muitos detalhes de como fará isso.
Também fala em fortalecimento da indústria esportiva, incentivo ao esporte escolar, integração da política do esporte com políticas de educação e saúde, fomento à continuidade do estudo para o atleta de alto rendimento, criação de espaços públicos para a prática esportiva. Em suma, tenta elencar os pontos discutidos na Carta Aberta aos Candidatos à Presidência, divulgadas pelos “Atletas pelo Brasil”, sem entrar em muitos detalhes.
Percebe-se que as propostas de Aécio para o Esporte são muito pouco específicas, e poderiam ser propostas de qualquer governo. O que provavelmente seria seu com exclusividade, é o novo Ministro dos Esporte – rumores indicam que o ex-jogador Ronaldo ocuparia o cargo. Se é uma figura de carisma inquestionável, resta saber sua capacidade de gestão para assumir posição tão importante.
A conclusão é que, para o esporte, nenhum dos dois candidatos surpreende. Nenhuma grande proposta inovadora aparece em quaisquer dos planos de governo. Em geral, percebe-se que o esporte não será tratado como prioridade, seja qual for o resultado da eleição de domingo.
E você? Quais seriam suas propostas para o Esporte Brasileiro nos próximos 4 anos?
Fonte: Site DeCanhota

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