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terça-feira, 18 de novembro de 2014

O que a braçadeira de capitão tem a ver com Marketing?

Nesta semana o ex-capitão da seleção Thiago Silva concedeu uma entrevista afirmando que estava magoado dentro da seleção por conta da sua perda de espaço e retirada da braçadeira de capitão, que lhe pertencia. Será mesmo que assumir a posse da braçadeira e do status confere ao jogador o papel de líder do grupo?

Sou um dos que Thiago Silva considera um “monstro”. Tecnicamente é um dos melhores em sua posição, senão o melhor, não a toa que Barcelona, Real Madrid e outros gigantes do futebol europeu disputam seu contrato a cada janela de transferência.  Sua carreira demonstra que o apelido conquistado não foi a toa. Revelado pelo Fluminense, após temporada no Juventude, foi transferido para o FC Dinamo Moscovo onde sofreu com uma tuberculose e quase interrompeu sua carreira. Após lutar por sua vida, sua  volta ao Brasil reservou destaque no Fluminense e, consequentemente, convocações para a seleção brasileira. A transferência para o Milan, e posteriormente ao PSG, foi natural para um jogador como ele. 
 

Como capitão desempenhou a função no Fluminense, no Milan, onde foi apontado como o sucessor de Maldini, e atualmente no PSG. Porém, desde a Copa do Mundo, baseado no desempenho psicológico da seleção brasileira, e principalmente do seu, comecei a pensar a respeito do papel do capitão do time em campo e o que de fato representa a braçadeira.
A braçadeira de capitão sempre foi um objeto que transcendeu para dentro de campo a confiança do treinador, aquele que portasse seria os olhos e ouvidos do técnico dentro de campo, tomaria o posto o líder e representante dos demais jogadores. Porém, quanto mais penso a respeito da braçadeira de capitão mais acredito que, cada vez mais, é um objeto puramente de status, apenas representativo.
Há muitos estilos e perfis de liderança, e dentro de um clube com cerca de 30 jogadores, claramente muitos destes desempenham diferentes papéis e assumem muitos objetivos dentro do grupo, e é muito benéfico que em um time haja essa heterogeneidade em termos de liderança. Lembre-se que, apesar de Thiago Silva ser o capitão, Robinho foi cogitado à Copa pelo seu papel de líder afetivo dentro da seleção.
E muito desses lideres desempenham um papel chave mesmo sem portarem a braçadeira, vide o jogador Fred no Fluminense (quando Conca era o capitão) e na própria seleção. Porém, é de se esperar que o capitão sobressaia e assuma o controle emocional e técnico do seu grupo, que seja responsável pela unicidade do time em prol dos objetivos, ou pelo menos, em relação “as orientações do professor”. Em todo caso, o líder, o capitão, nunca é omisso.
Thiago Silva, como capitão (ou ex-capitão) da seleção não deveria nunca externalizar mágoa ou chateação a respeito de um item apenas representativo. Acredito que apresentou um comportamento que, de fato, um líder nato não o faria. O líder, mesmo em uma situação como esta, desempenharia seu papel da mesma forma, ou talvez de maneira mais representativa, demonstrando que a braçadeira é só mais um arquétipo e que não representa nada além de um símbolo sem sentido. 
Como alguém que estuda e escreve sobre marketing e gestão acredito que uma declaração como esta possui um efeito negativo sobre a imagem do jogador. Este, que representa (ou representava) cerca de 9 marcas, além de possuir a sua própria, deveria ser mais cuidadoso com o seu posicionamento, seja em redes sociais, dentro de campo ou com a imprensa. Esquece-se que além de uma figura pública, que inspira e atua como modelo para crianças e fãs no mundo inteiro, pode ser comparado à uma empresa, aspirando conceitos e ideais.   

Quando vejo um jogador se posicionar com ênfase no seu ego, ou mesmo de forma desapropriada, lembro sempre do trabalho de João Henrique Areias e o jogador Sávio, ou mesmo de Kaká, que sempre souberam utilizar sua imagem em prol de conceitos esportivos e éticos, representando marcas e seus times de forma única e séria, nunca denegrindo decisões ou expondo vontades pessoais sem sentido. Foram verdadeiros líderes por onde passaram.
Era esse o posicionamento que esperava de um capitão da seleção brasileira em relação a sua imagem, pode não representar  oque foi um Cafú, Sócrates ou mesmo Dunga, mas sua atitude deveria  derivar seriedade e compromisso com o grupo, com o técnico e com todos que representa. Talvez esse episódio tenha demonstrado o que já sabíamos desde os pênaltis contra o Chile na Copa do Mundo, que o jogador não possui estrutura emocional para tamanha responsabilidade, já que esta declaração apenas representou um egoísmo por parte de um status.
E pelo que conhecemos da postura de Dunga, principalmente em relação ao seus conceitos de seriedade e de grupo, acho que este episódio poderá se desenrolar mais do que o próprio jogador achava quando concedeu a entrevista, e pode ameaçar, talvez, até sua estadia na seleção brasileira.
Fonte: Site DeCanhota

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