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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Por que TV e federações não ligam para o futebol brasileiro?

A CBF e a TV são as grandes donas da bola do futebol brasileiro. Participa do jogo quem elas quiserem e quem se submeter às suas regras, caso contrário sofre retaliação e grande perda de dinheiro. Mas, por que não pensar de maneira conjunta com os clubes para melhorar o jogo?

Um dia desses estava assistindo durante o almoço um dos programas esportivos locais comentando sobre a situação do Avaí e apresentando a coletiva de imprensa do técnico Geninho e uma coisa me chamou muita atenção, a câmera enquadrou o rosto do técnico de tal forma que não era possível observar o backdrop com os patrocinadores do clube, o tablet que o Avaí mantém junto ao microfone e nem metade do rosto do técnico. Pergunto, tudo isso para não mostrar os parceiros do clube???
 


Tomando um caso mais nacional, acompanhamos nos últimos dias uma disputa interessante entre CBF, São Paulo e TV Globo em relação às datas para o jogo da semifinal da Copa Total Sul-Americana devido ao conflito de data FIFA e interesse da TV em angariar audiência para seus programas a partir dos jogos que melhor servem á sua grade.
Com isso mais uma vez podemos perceber a falta de interesse da federação e da TV em realmente fortalecer o futebol brasileiro e agirem como parceiros para esse crescimento. Ok, esse cabo de guerra entre clubes, federação e TV não é nenhuma novidade nos noticiários e opiniões atuais, mas isso ainda me espanta por continuar existindo mesmo após a fatídica derrota da seleção brasileira por 7×1 e a enxurrada de opiniões e análises sobre os verdadeiros problemas do país da bola.
É evidente que sem uma estratégia e um modelo de negócios inclusivo e participativo os clubes ficarão cada vez mais longe do que se pensa sobre futebol como negócio. Porém, por um lado a CBF apenas visa a ampliação de negócios envolvendo a seleção, seu principal produto, com amistosos em locais que perdem em infraestrutura para qualquer campinho de várzea, sem entender que a seleção brasileira nada mais é do que o reflexo do trabalho realizado pelos clubes. Já por outro entra o papel da TV, a qual deveria ser a grande aliada dos clubes, atua na maior parte das vezes como grande inimiga destes, quase como aquele chefe mala que tenta mandar em todos e não quer saber de ninguém ganhando mais do que ele.
Num mundo ideal, que existe e pode ser estudado a partir do entendimento dos esportes americanos (NBA, MLS, etc.), os clubes deveriam ser donos do seu principal produto, atribuindo uma pessoa jurídica à liga e todos os clubes como sócios desta, de modo que possam gerir todos os ativos pertinentes da forma como lhes convier.
 
 

Ou seja, imagine o Campeonato Brasileiro (não Brasileirão por favor, esse nome não pega e é dificílimo vender isso fora do Brasil) , tomado como uma liga, gerindo seus próprios contratos de transmissão em prol dos interesses dos clubes e diversificando as opções de investimento e modalidade para o torcedor acompanhar seu clube (diversos canais na TV, on demand, entre outros), além de permitir que cada clube negocie contratos regionais com parceiros que julgar mais estratégico (tal qual o Los Angeles Galaxy atuam).
A Liga poderia planificar estratégias globais para o futebol brasileiro tomando a premissa de que para o lucro e o seu crescimento é necessário que todos os clubes sejam economicamente viáveis (é necessário que o bolo cresça e que as fatias sejam homogêneas) e recebam parcelas consideráveis das cotas de TV e contratos publicitários em termos de audiência, posicionamento na tabela e outros indicadores, diferentemente do que ocorre hoje na qual Corinthians e Flamengo se distanciam cada vez mais dos outros clubes.

E não só o modelo de transmissão e cotas de TV poderia ser repensado, mas todas outras estratégias e comercialização de ativos dos clubes poderiam ser repensados e exemplificar isso é fácil, basta responder rapidamente quais os campeonatos e estádios que possuem naming rights hoje no Brasil. Não preciso dizer que a TV recusa-se a mencionar a Copa do Brasil como Copa Sadia do Brasil ou chamar a Fonte Nova de Itaipava Arena Fonte Nova. Sendo o problema estendido para outros esportes, afinal você conhece a equipe de vôlei Unilever ou a escuderia da F1 Red Bull Racing, ou você só ouviu falar do Rio de Janeiro e a RBR?
A TV só mostra que ela é a dona da bola e só joga quem ela quiser e aceitar as regras dela, caso contrário, poderá até tentar entrar no jogo mas sofrerá retaliações que tornará o produto/investimento menos rentável e perceptível aos olhos dos torcedores.
Esta é apenas uma das milhares de soluções possíveis para o futebol brasileiro. Claro, tomei como exemplo uma das mais disruptivas na qual os clubes abandonariam o feudo criado pela federação e TV o que demandaria muito jogo político e acordos entre todos os participantes, além de uma maturidade ímpar de ambas as partes, já que vimos isto iniciar e terminar com o Clube dos 13 em 87 a partir do medo dos clubes e um jogo forte de bastidores para desestimular a ideia.
Mas é fato que enquanto a TV está assustada com a queda de audiências dos péssimos jogos do campeonato, e os clubes mendigando cada vez mais, o modelo deve ser repensado e reajustado para que ambas as partes trabalhem de forma unificada, já que em um modelo inclusivo ambas as partes deverão ganhar, e muito mais do que hoje já ganham, basta ver o que acontece fora do nosso feudo.

Fonte: Site DeCanhota

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