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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Análise: Falta de preparo gera fiasco em gestão Zubizarreta

Adalberto Leister Filho lista a série de equívocos cometidos pelo diretor esportivo demitido do Barcelona

Para muitos jogadores com identificação com um clube, parece natural a transição da carreira nos gramados para a de dirigente. A regra aparentemente iria se aplicar a Andoni Zubizarreta. A nomeação do ex-goleiro para o cargo de diretor esportivo do Barcelona, feita por Sandro Rosell, representava uma espécie de reconciliação entre clube e ídolo. Zubizarreta, que defendeu a meta do Barcelona por 8 anos, acabou dispensado após a vexatória final com o Milan na Liga dos Campeões de 1994.
O problema é que nem todo craque em campo consegue desempenho semelhante fora dele. A preparação técnica para o cargo, desprezada por muitos ex-jogadores, é essencial. Na prática, o reatamento da relação entre Barcelona e Zubizarreta não funcionou. O dirigente acabou demitido após quatro anos, menos tempo do que defendeu a camisa azul-grená debaixo do gol.
A gestão Zubizarreta foi um pesadelo para o torcedor do clube. Responsável por montar o elenco do time de Messi e Neymar, o ex-goleiro cometeu seguidos equívocos.
Para começar, a defesa tem sido o calcanhar-de-aquiles do Barcelona. Desde a aposentadoria de Puyol, o time ainda não resolveu o problema da zaga. Na temporada passada, Mascherano jogou improvisado na função, algo estranho para um clube com tanto poder financeiro. Para solucionar o problema, Zubizarreta fez apostas equivocadas em Mathieu e Vermaelen. O belga permanece lesionado.
O dirigente também não teve capacidade para convencer o goleiro Valdés, um dos líderes do elenco, a permanecer no clube. Bravo e Ter Stegen, contratados nesta temporada, até que não têm decepcionado. Nenhum dos dois se tornou dono da camisa 1. A sombra do titular do gol nos últimos 12 anos permanece forte. Zubizarreta nem pode alegar falta de experiência, já que viu o próprio Barcelona enfrentar o problema quando deixou o clube.
Não bastasse isso, o dirigente criou um problema para o meio-campo. Ante a aposentadoria próxima de Xavi Hernández, era de se esperar que Thiago Alcântara ou Fàbregas fosse assumir a posição no clube. Zubizarreta dispensou o potencial de ambos para apostar no croata Raktic.
O desprezo pelas revelações de La Masia, aliás, é outra marca da gestão Zubizarreta. Sob seu comando, o clube preferiu liberar os jovens formados pelo clube, como Bojan, Muniesa e Tello, para se arriscar em contratações milionárias.
A maior negociação desta temporada, Luis Suárez, que chegou ao custo de € 81 milhões, ainda não empolgou. Alexis Sánchez, por sua vez, dispensado do clube por quase metade desse valor, não para de fazer gols. Já foram 16 em 29 partidas. A vinda Neymar, a mais cara contratação de Zubizarreta, foi envolvida em escândalos. Até hoje ninguém sabe quanto realmente custou o craque brasileiro e se houve fraude fiscal.
Mas a cereja no bolo foi a proibição de contratar jogadores nas duas próximas janelas de transferência. A punição foi imposta pela Fifa por conta de irregularidade na contratação de jogadores menores de idade. Em um mercado tão dinâmico como o futebol atual, é um estrago considerável para o sucessor de Zubizarreta administrar nas próximas temporadas.

Original:
http://maquinadoesporte.uol.com.br/artigo/analise-falta-de-preparo-gera-fiasco-em-gestao-zubizarreta_27652.html#ixzz3ODyQRWwq

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