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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Fluminense compara federação carioca à ditadura militar

Clube divulga nota oficial com ataques fortes à entidade do Rio de Janeiro




O Fluminense resolveu reagir à medida da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) de colocar a estreia do time longe do Maracanã, precisamente em Volta Redonda. O clube publicou uma nota em seu site oficial ironizando a entidade e chegou a compará-la ao regime militar no Brasil.
Segundo o Fluminense, ao mudar o mando de campo do time após o clube ter repudiado o limite do preço de ingresso do Campeonato Estadual, a federação pretende “instaurar o Ato Institucional número 5 no futebol carioca”. A referência é o decreto estabelecido em 1968 durante o governo Costa e Silva que suspendia os direitos políticos dos brasileiros e que marcou o início dos “anos de chumbo” do regime militar.
Ainda em referência ao histórico político nacional, o Fluminense citou um de seus mais notórios torcedores, Chico Buarque, para afirmar que cumprirá as medidas adotadas pela federação carioca, em respeito aos patrocinadores e aos detentores dos direitos de transmissão. Foi declarado: “Hoje você é quem manda, falou tá falado, não tem discussão”, parte da letra de “Apesar de você”. A canção chegou a ser proibida durante o governo Médici.
Até o Vasco, cujo presidente Eurico Miranda fez a proposta pelo limite de preço dos ingressos, foi lembrado: “se permitido for, esperamos em breve reunir todos os guerreiros em nossa casa, do lado direito das tribunas do Maracanã. Lugar que, por contrato e pelos próximos 34 anos, é nosso.” O mandatário vascaíno chegou a ameaçar não jogar no estádio caso a posição histórica de sua torcida não fosse respeitada.
A revolta do Fluminense foi pela decisão da Ferj em limitar os ingressos a, no máximo, R$ 50 durante o Campeonato Carioca. Na última semana, a concessionária do Maracanã divulgou nota oficial em conjunto com o clube e com o Flamengo, que mantêm contratos para atuar no estádio. Para os três, as medidas da federação impõe prejuízo e descaracteriza o mandante da partida, o que seria ilegal.
A ideia de Vasco e Ferj era aumentar a média de público do torneio, que em 2014 não passou das 3 mil pessoas por partida.
Agora, terão que lidar com uma guerra declarada. 
Leia o pronunciamento do Fluminense na íntegra: 

Falou, tá falado! 
O Fluminense Football Club, na condição de filiado, vem a público registrar que repudia todas as acusações feitas pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro na RDI 003/15, mas acatará a determinação de disputar a partida contra o Friburguense no Estádio da Cidadania, em Volta Redonda, no próximo dia 1 de fevereiro.
Como fundador da Federação e pioneiro no profissionalismo no futebol carioca, o Fluminense cumprirá a decisão de uma entidade tão gabaritada, que organiza, atualmente, a melhor competição do futebol brasileiro. Afinal, o Campeonato Carioca tem, há alguns anos, as “melhores médias de público registradas no país”.
Além disso, em respeito aos patrocinadores e detentores dos direitos de transmissão da competição, o Fluminense não irá se opor a levar o que há de melhor no futebol carioca a outras praças do estado, apesar de entender que tal medida trará enormes prejuízos de visibilidade e na parte técnica ao Estadual.
Embora a Federação pretenda instaurar o Ato Institucional número 5 no futebol carioca, não será o Fluminense Football Club o “subversivo” desta competição. Não é e nunca será este o nosso papel. Ao Fluminense sempre coube a vanguarda, no melhor sentido da palavra. Lembremos Chico Buarque: “Hoje você é quem manda, falou tá falado, não tem discussão”.
Apesar da decisão de mudar o local da partida a menos de uma semana do início da competição, convidamos os torcedores sul-fluminenses a prestigiar a estreia tricolor. Aos cariocas, se permitido for, esperamos em breve reunir todos os guerreiros em nossa casa, do lado direito das tribunas do Maracanã. Lugar que, por contrato e pelos próximos 34 anos, é nosso.
O Fluminense reconhece que a atual gestão da Ferj faz todo o esforço para que os campeonatos não terminem como os de 1990, 1992 e 1998, quando no primeiro tivemos um clube dando volta olímpica com um barco de papel, no segundo os clássicos foram disputados fora do Maracanã e o terceiro foi repleto de W.Os, com o jogo final em Moça Bonita e um curioso apagão antes do gol que decidiu a competição. Qualquer semelhança seria mera coincidência…
Deixamos registrado que apesar de cumprir a determinação exigida, o Fluminense fará valer todos os seus direitos frente aos prejuízos materiais que possa sofrer, e que protegerá os torcedores do Rio de Janeiro levando aos órgãos competentes quaisquer descumprimentos das leis vigentes no país.
Além disso, reafirmamos o compromisso com o Clube de Regatas do Flamengo e a Concessionária Maracanã pela transformação do futebol brasileiro, conforme manifesto divulgado no último dia 22.

Finalizamos com Chico Buarque: “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia…” 

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