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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Gestão desportiva profissional: realidade ou promessa?

Por: Carlos Renato Maia

Recentemente temos acompanhado nos veículos de comunicação diversos debates sobre a importância da gestão dos clubes brasileiros e, ao mesmo tempo, verificamos o surgimento de cursos, workshops, palestras, MBA`s e até graduações com conteúdo específico sobre esta grande temática do esporte na atualidade. Será que os clubes de futebol no Brasil estão de fato abrindo os olhos para esta realidade?
É inegável afirmar que, após 1990,  a grande mudança no mundo desportivo foi a elevação dos treinadores , os quais alcançaram patamares semelhantes ou até maiores do que os atletas. Atualmente, estamos vivendo uma nova era onde o planejamento e a gestão qualificada se tornam importantíssimos para o desenvolvimento de um projeto vencedor. Esta alteração está ocorrendo por dois motivos: a penúria e endividamento dos clubes e, também, por uma evolução diretiva de todos que fazem parte deste mundo tão complexo.
Fato é que os clubes estão se organizando para sanar suas dívidas e gerar mais receitas. Este grande mercado, que movimenta milhões de dólares, tem atraído novos profissionais. Isto porque pessoas que até então não viam os clubes como possibilidade de desenvolvimento profissional, estão começando a perceber que há espaço e que a função de gestor está em grande expansão. Não cabe mais o pensamento de que ganhar título é mais importante do que pagar as contas. Loucuras ou excessos têm sido criticados pela imprensa. Cada vez mais veremos executivos qualificados cuidando da gestão dos clubes.
Em entrevista concedida ao programa Seleção Sportv, o presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, disse estar implantando um modelo de gestão profissional. O São Paulo está desenvolvendo um departamento de gestão, com executivos especializados em cada área, os chamados COO (Chief Operating Officer), tendo como chefe o CEO (Diretor Executivo). Nesta mesma entrevista o presidente Aidar comentou que um grande clube paulista chegou a implantar o mesmo modelo de gestão do São Paulo, porém, durante este processo, por questões eleitorais, este clube acabou caindo em uma armadilha antiquada, qual seja, a alteração deste modelo de gestão e o consequente aumento das dívidas, gerando incapacidade do pagamento da sua folha salarial.
O mercado do futebol também tem elogiado a forma de gestão do Clube de Regatas do Flamengo, que montou uma equipe com profissionais capacitados, tendo como CEO o famoso Rodrigo Caetano, com a finalidade de colocar o clube nos trilhos. Em entrevista coletiva, o técnico Vanderlei Luxemburgo mencionou que há no Flamengo uma equipe de gestores que “não sabem nada de futebol”. Porém, como o próprio Carlos Miguel Aidar afirmou em entrevista ao programa Seleção Sportv: “Gestor tem que saber de gestão e não de futebol”.  Não cabe ao gestor dizer quem deve jogar, assim como não cabe ao treinador exigir que o clube contrate um jogador, se este não está dentro dos limites financeiros do clube. Já diz uma velha frase: “Cada um em seu quadrado.”
Conclui-se que os boleiros terão que se qualificar para ter condições de cuidar da gestão profissional de um clube. O simples fato de ter sido jogador ou treinador não será suficiente para trabalhar como executivo do futebol. Por exigência do próprio mercado, faz-se necessária uma qualificação cada vez maior para aqueles que desejam trabalhar como gestores desportivos. Isto fica ainda mais claro ao verificarmos diversas instituições desenvolvendo cursos especificamente para a área executiva do esporte. Esta é a nova realidade do futebol brasileiro e quem ganha com isso são os clubes que, com um organograma similar a uma grande empresa e profissionais específicos para cada área, conseguirão aumentar ainda mais as suas receitas e diminuir seus débitos. Seguindo este modelo teremos a certeza de um futuro melhor no cenário esportivo.

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