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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A importância do Departamento de Análise de Desempenho


A análise de desempenho vem aos poucos sendo introduzida no futebol brasileiro, contudo, na Europa, esse mecanismo já vem sendo utilizado como forma de evolução dos clubes há bastante tempo. No final dos anos 90 muitos já eram os estudos realizados e, desde então a análise de desempenho, comumente conhecida também como scout, passou a fazer parte do futebol no velho continente.

Dividida em análise qualitativa e quantitativa, a principal atividade do analista de desempenho é abastecer de informações a comissão técnica e a diretoria do clube.

A análise quantitativa é aquela que trata dos dados estatísticos da partida, da equipe ou até mesmo do jogador. Número de faltas, impedimentos, posse de bola, etc. Já análise qualitativa é aquela na qual se analisa basicamente as fases do jogo, quais sejam: momento ofensivo/defensivo, transição ofensiva/defensiva e ainda bolas paradas.

Basicamente o analista de desempenho fornece à comissão técnica dados importantes e primordiais sobre o próximo adversário, ou ainda, se a equipe tem conseguido realizar durante as partidas, o que é trabalhado nos treinos, etc.

O estudo da análise de desempenho de jogadores pode ser ponto determinante no momento de contratação de um atleta, por exemplo. Um analista de desempenho pode ter em seu banco de dados todas as informações necessárias para a diretoria do clube decidir pela contratação de um determinado atleta ou não. Através da análise é possível saber quantos minutos o atleta atuou na última temporada, quantos gols fez, quantos cartões recebeu, quanto tempo esteve contundido, enfim, um relatório detalhado pode ser determinante no momento de uma contratação.

E como um analista de desempenho consegue armazenar e trabalhar com tantas informações? A resposta é simples. A tecnologia tem sido a grande aliada dos clubes e profissionais nesse sentido. A cada ano são lançados novos softwares de análise de desempenho que são capazes de transformar dados coletados em tempo real, em planilhas a serem repassadas ao treinador até mesmo durante a partida.

A grande questão, e talvez, a mais importante é saber fazer a leitura desses dados, em especial dos números que são coletados através desses softwares.

Quando falamos que o Brasil está muito atrasado em relação à Europa é exatamente por isso. Enquanto clubes europeus trabalham com uma média de 20 profissionais nessa área, no nosso país a realidade é outra. Muitas vezes os clubes contam com apenas 1 ou 2 profissionais nessa área tão importante dentro da nova realidade do futebol.

Os clubes brasileiros não têm que copiar os europeus, no entanto precisam entender o quão importante esses dados são dentro da nova ótica do futebol. É latente a diferença entre o nível do campeonato inglês e o brasileiro, por exemplo. Sabemos que nossos jogadores “nascem” com a magia do futebol nos pés, porém, o que se tem visto é que só essa técnica apurada não tem servido para sermos competitivos diante de outros países. Precisamos aprimorar a parte cognitiva e tática não só de nossos jogadores, mas também, dos treinadores e demais profissionais que lidam de forma direta com o futebol.

Após a Copa do Mundo de 2014 muito se falou em renovação do nosso futebol, mas pouco se fez. Dentre as mudanças que precisam ser feitas, uma passa exatamente por aí. Profissionalizar os clubes e criar dentro deles um departamento próprio de análise de desempenho, não que seja essa a solução para nosso futebol, mas sem sombra de dúvidas, dessa forma se reduzirá e muito os erros, principalmente no que diz respeito à contratação de jogadores.

DANIEL FONSECA DE CALAZANS
Advogado Desportivo / Gestor Executivo de Futebol

danielfcalazans@gmail.com / 31-9677-0007

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