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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

FLUMINENSE: A PRÓXIMA VÍTIMA DA CULTURA DE EXPOSIÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO?

Dono da Viton reclama de momento ruim da empresa, do patrocínio “caro” e coloca futuro indefinido dentro do clube


Tido como um “porto seguro” para os patrocinadores, palavras ditas pelo próprio presidente do Fluminense, Peter Siemsen, a camisa Tricolor pode sofrer uma baixa em outubro com a saída da Viton. A informação foi divulgada pelo GloboEsporte a partir de fortes declarações do presidente da empresa, Neville Proa.

– Se houver uma condição de não continuar com a parceria, não vou continuar. Nosso movimento caiu, as vendas estão ruins. Infelizmente, tive que demitir 170 pessoas. Isso é por causa do jeito que está a situação brasileira. O Fluminense é maravilhoso, mas não posso pagar um patrocínio caro se não tenho dinheiro. Não está adiantando.

A questão pode ser analisada de algumas maneiras e gera algumas dúvidas em relação a visão que muitos profissionais têm quando embarcam nesta complicada aventura que é o futebol. A primeira delas é o valor fechado pela Viton com o Fluminense, que neste primeiro ano representa R$ 12 milhões e, para 2016, saltaria para R$ 24 milhões. Ou seja: em tempos de recessão, em doze meses, o Flu passaria a ter um dos maiores patrocínio master do país.

Diante do cenário de incertezas e insatisfações, será que houve um estudo do mercado por parte da empresa para conseguir dobrar o investimento no espaço de um ano? Será que a Viton buscou ações de ativação com os torcedores do clube para que esta aproximação impacte, diretamente, em suas vendas? Como pode ser considerado “caro”, se o mesmo assinou o contrato e prometeu o dobro em seguida?

Em entrevista à Folha em janeiro deste ano, Proa chegou a dizer que “investe no limite da possibilidade”. Apenas nove meses depois do contrato firmado, o limite parece que bate à porta do empresário. Será que houve planejamento? E olha que agora o Tricolor conta com um ativo chamado Ronaldinho Gaúcho, que poderia se tornar seu embaixador caso o planejamento fosse feito dentro dos reais limites da empresa.

Já virou redundante afirmar que as marcas patrocinadoras do futebol devem ir além da exposição. No caso da Viton, tida como “mecenas do futebol carioca” no início do ano, na iminência das vendas caírem, seria natural (não ideal) fechar um acordo de curta duração e rever o patrocínio ao final da temporada.

A dificuldade atravessada pela empresa não pode ser colocada nas costas do Fluminense, mas ele poderá ser o grande prejudicado justamente por ter acertado o contrato de maior valor (a marca patrocina também Vasco e Flamengo).

O Flu pode sim ser visto como um porto seguro para as empresas, como foi durante um bom tempo para a Unimed e como ainda é para a adidas, mas é imprescindível que se saiba que, no patrocínio esportivo, esperar que o impacto financeiro e mercadológico seja positivo embasando apenas em mera exposição, é um corriqueiro erro (e falo sobre o assunto no meu e-book).

A Viton, caso deixe definitivamente o futebol, será apenas mais uma que passou pela modalidade e não deixou sua marca. E não falo daquela que apenas estampa o uniforme.

Fonte: MKT Esportivo

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