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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

“Made in Brazil” - Brasileiros invadem o Futebol Chinês

Por: Daniel Malachias (Octagon)

Em 2012, o Corinthians apostou em uma estratégia de expansão internacional, focada no mercado asiático. A ideia era internacionalizar a marca num país que detém a segunda maior economia do mundo e com mais de um bilhão de habitantes. Para isso, contratou um jogador que seria a ponte disso tudo: Chen Zhi Zhao Tin, mais conhecido como Zizao. Dentre as ações previstas, estavam um programa de 30 minutos na grade da TV Estatal Chinesa falando sobre Corinthians e Zizao, além de uma ação em redes sociais para ser guia por um dia do jogador.


Fonte: esporte.ig.com.br

Zizao conquistou a todos com sua simpatia aqui no Brasil, mas tecnicamente parece não ter agradado tanto e em quase dois anos de contrato. Disputou 5 partidas e não fez nenhum gol. Ao final de 2013, voltou para seu país e assinou com o Beijing Guoan. E ao que parece, levou as melhores impressões daqui para lá. O fim de 2015 e início de 2016 representaram para o Corinthians a perda de 3 de seus principais jogadores do elenco campeão brasileiro para o país asiático a cifras impressionantes.
As recentes investidas do futebol chinês aqui no país representam muito mais do que apenas a contratação de jogadores que se destacaram em seus clubes. Por trás disso tudo, está uma estratégia interessantíssima de desenvolvimento do esporte no país que engloba a criação de equipes competitivas, aprendizado de melhores práticas, formação de ídolos, fortalecimento de liga, ampliação de estratégia de direitos de TV, entre outros.


Fonte: espn.uol.com.br

O país, através de seu novo presidente, Xi Jinping, eleito em 2013, definiu três grandes metas para o futebol local: disputar uma Copa, sediar o torneio e conquistar o título mundial. O futebol então se tornou obrigação nas grades curriculares das escolas. Além disso, fortaleceu a parte de incentivos fiscais: empresas que invistam no esporte de alto rendimento poderão ter descontos de 15% a 25% no imposto de renda. Outras que promovam esporte e cultura poderão ter descontos de até 3%.
Os clubes têm por trás investimentos de empresas que vão desde gigantes do mercado de engenharia até empresas do setor elétrico. Isso acontece na primeira e segunda divisão. Sem dúvida a grande mola propulsora para contratar tantos craques brasileiros e nomes internacionais. Além disso, o recente acordo para transmissão do Campeonato Chinês pelos próximos 5 anos, assinado em outubro de 2015 pela China Sports Media, que pagou por esses direitos USD 1,26 bilhão (aproximados R$ 4,8 bilhões) também impressiona e já mostra que algo tem evoluído no país.
Tudo isso tem sido balizado com a contratação de especialistas e pessoas de destaque em suas áreas. Investimento em gestão do esporte. O discurso feito pelo técnico Vanderlei Luxemburgo, que assumirá o papel de manager no Tianjin Quanjian é exatamente esse. Cercar-se de especialistas e o que há de melhor nas diferentes disciplinas, para cumprir um planejamento de longo prazo.


Fonte: globoesporte.com

Tudo isso, dentro de um grande plano estratégico para esse crescimento do futebol local. Um movimento semelhante pode ser visto na MLS, que apesar de um modelo de negócio diferente (através de franquias), tem chamado a atenção pela aquisição de grandes craques, ampliação de direitos de TV e estádios lotados. Tudo pela evolução e desenvolvimento do esporte nos EUA.
Quando falamos de público, os chineses também têm números expressivos se comparados aos brasileiros no quesito estádio. Pularam da média de 18 mil pessoas entre os anos de 2012 e 2014, para 21.892 em 2015. Nesse ano, a média do Brasileirão foi de 17.051 pagantes.
Mas nem tudo é fácil no mundo asiático. A ESPN, que sempre transmitiu grandes campeonatos e outros de menor representatividade (ex: Ucraniano, Grego), se interessou pelo Chinês, mas esbarrou na falta de estrutura para atender a um mercado internacional de transmissão. Alguns dados básicos não puderam ser respondidos quando perguntados por simples falta de informação da parte chinesa.


Fonte: blogs.atribuna.com.br

Apesar de tudo, o intercâmbio sem dúvida tem sem mostrado uma oportunidade enorme em termos de projeto e também financeiramente para os protagonistas do futebol. Os clubes, porém, têm sofrido com o assédio e a competição de salários, reflexo de uma economia brasileira em baixa. A tendência é que isso certamente se amplie, dado que cada vez mais, olhando para o planejamento estratégico do futebol definido pela China, o crescimento de contratações, investimentos e ampliação de know how no país seja cada vez maior.
Com o aumento da demanda por matéria prima brasileira, os clubes têm de focar cada vez mais em suas categorias de base e outras formas de fazer dinheiro para atrair e/ou reter seus grandes talentos. Seja investindo em experiência do torcedor, em infraestrutura ou propostas “criativas” financeiramente para driblar o cenário econômico ruim que o Brasil vive.
Quanto a China, um país que tem um mercado interno gigante, com histórico esportivo destacado, que sediou Jogos Olímpicos de sucesso em 2008 e possui uma economia fortíssima, sem dúvida, ingredientes no mínimo interessantes existem para a formação de um case que tem tudo para ser de sucesso. Resta ao nosso país pensar em como valorizar a nossa matéria-prima e estar preparado para lucrar quando uma investida acontecer. De fato, a conclusão do lado de lá é a de que aqui temos um produto de altíssimo valor agregado para eles. Seja dentro ou fora dos campos. Tudo “Made in Brazil”.



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