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domingo, 3 de julho de 2016

A culpa não é só da crise

Por: Matheus Paulo Melgaço


Atualmente, dos vinte clubes que disputam a primeira divisão do campeonato brasileiro, doze são patrocinados por empresas públicas. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, estampa a camisa de dez deles: Atlético-MG, Atlético-PR, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Chapecoense, Figueirense, Flamengo, Sport e Vitória; e a Banrisul de dois: Grêmio e Internacional. Outros seis clubes têm em empresas privadas de ramos diversificados a fonte de receita destinada ao patrocinador máster e dois clubes – Botafogo e Fluminense – não possuem nenhum.      

A conta é simples: a Caixa, maior banco público em atividade, é também a empresa que mais enxerta dinheiro dentro dos clubes de futebol. Se não fosse por ela – apenas para ficar na primeira divisão – dez clubes poderiam ficar sem patrocinador máster para a atual temporada. Diante deste quadro, a pergunta que fica é: “Onde estão os investimentos das empresas privadas? ” Uns dirão rapidamente que a crise as afastou. Sim e não.   
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Em 2009, o Brasil viva um ano de “efervescência econômica”. O Rio de Janeiro foi escolhido como sede dos Jogos Olímpicos e já era sabido que o país sediaria também a Copa do Mundo. No entanto, uma matéria divulgada na época pelo portal Uol Esporte – no dia 01/01/2009 – destacava que mais da metade dos clubes que disputaria a primeira divisão não tinham patrocinadores máster firmados até aquele momento.                               
     
As justificativas para o não domínio de investimento privado no futebol brasileiro são muitas. Mas, como diz o ditado: “é preciso fazer sua parte”. Dessa forma, é papel dos clubes evidenciar seu posicionamento corporativo no mercado, isto é, ter credibilidade diante os players e mostrar os benefícios que as marcas vão obter em se atrelarem junto à instituição.
Uma recente pesquisa divulgada pelo Ibope Repucom desmistifica o mito da rejeição de torcedores rivais a um produto de um patrocinador de outro clube. Segundo a consulta, apenas 9% afirmou que deixaria de consumir um produto ou serviço de uma empresa que patrocinasse o time rival. A pesquisa é mais uma ferramenta que ajuda os clubes a atrair empresas privadas para o futebol.

Vale ressaltar que algumas soluções têm se mostrado competentes como encontros corporativos entre clubes e empresas e os patrocínios pontuais servindo como porta de entrada para um relacionamento duradouro. Isto, atrelado a uma boa credibilidade do clube, um plano de comunicação com estratégias de marketing e a paixão que o esporte produz são ferramentas eficazes que os profissionais dos clubes podem usar a fim de convencer as marcas de dimensão nacional a investirem no futebol brasileiro. O gargalo que as empresas públicas ocupam não pode virar dependência tampouco comodismo ao potencial que o esporte tem no país.

Referências:
http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2009/01/01/ult59u182432.jhtm




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