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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Ídolos como ferramenta de marketing

Historicamente, o Brasil ocupa um lugar de evidência no mundo das lutas. Em diversas modalidades, os brasileiros têm lugar de destaque. No Ultimate Fighting Championship (UFC) não poderia ser diferente. E a organização mostra ao futebol brasileiro como aproveitar os ídolos que o esporte promove para expandir mercado e tranformar marca em produto.

No Brasil, pode-se dizer que o “boom” se deu a partir de 2011, após a luta entre Anderson Silva e Vitor Belfort, no UFC 126 – conhecida como a luta do século. Antes disso, os dois lutadores já tinham feito grandes lutas dentro da organização – como Anderson Silva x Chael Sonnen. Mas a luta entre os dois brasileiros foi um recorde em todos os aspectos.

Os irmãos Fertitta e Dana White se valeram da construção de ídolos do esporte para potencializar o UFC como marca em solo brasileiro. Sem contar as estratégias de marketing já implementadas como transformar as famosas encaradas na pesagem um evento à parte, o trash talking feito por lutadores para promover a luta. De lá pra cá, ocorreram inúmeras ações de marketing no Brasil com lutadores brasileiros. Desde autógrafos em lojas dentro de shoppings à ingressos gratuitos para o evento da pesagem – como é até hoje. Vale destacar também que a maior turnê de promoção de evento da organização foi feita para promover a luta que do brasileiro José Aldo contra McGregor (que, no final das contas, não ocorreu e foi posteriormente alvo de críticas feitas pelo lutador irlandês que pedira mais tempo para treinar). A Budweiser, cervejaria que patrocina a corporação, se valeu da história de vida dos lutadores para também promover seus produtos (mas isso já é outro texto). O resultado? O Spider se tranformou em ídolo nacional assim como Belfort, José Aldo e outros – cada qual à seu modo.

Atualmente, é fácil encontrar produtos que estampam o nome da organização: bonés, camisas, casacos e, claro, bonecos dos lutadores. No Brasil, o UFC virou sinônimo de Mixed Martial Arts (MMA) e conseguiu o feito que só grandes marcas tem: transformar-se em metonímia (fígura de linguagem). A partir dessa premissa, qualquer evento de luta que fosse passar na televisão, todos rapidamente perguntavam se era do UFC. Sem contar que para recém apaixonados pelo esporte, este foi o primeiro e único grande evento de MMA, ignorando grandes organizações passadas como o Pride e WEC.

O rápido posicionamento de marca da empresa no Brasil é assustador. Ao todo, foram 25 eventos realizados em solo brasileiro, sendo o último – o UFC 198 – feito na Arena da Baixada, em Curitiba. E isso se deve porque a atividade-fim do negócio é o esporte (o que também é outro texto).

Todo crescimento até hoje da organização, que recentemente foi vendida por 4 bilhões de dólares, se deve muito à criação e à manutenção dos ídolos no esporte. Não foi coincidência o crescimento exponencial da marca no país depois de uma luta entre dois brasileiros que, até hoje, são referências.

E os dois não foram os únicos. Se não fosse por atletas como Anderson Silva, José Aldo, Vitor Belfort, Wanderlei Silva, Shogun e Júnior Cigano (para citar alguns) lutando em alta performace, a organização não teria se expandido de uma forma tão rápida no Brasil. No entanto, esta mesma geração não tem mais o vigor de antes. A pergunta que fica é saber se as atuais promessas do MMA brasileiro vão ser capazes de continuar o legado deixado por eles. O que podemos ter certeza é que, se isso acontecer, os americanos já provaram que sabem utilizar muito bem os ídolos como ferramenta de marketing a fim de expandir e potencializar o negócio. Ao futebol brasileiro, fica uma lição.

Matheus Paulo Melgaço

Estudante de Comunicação Social na PUC-Rio tem interesse nas áreas de marketing, publicidade e negócios no esporte. 

Um comentário :

  1. Colocações bastante pertinentes, Matheus. Parabéns!
    Be

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