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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Conheça o ex-vendedor de hot dog que diz ser o mais jovem presidente de clube do Brasil


A função de presidente de um clube de futebol no Brasil é dominada por homens mais velhos. No interior de Goiás, porém, Feliphe Martins da Silva de apenas 22 anos tem a missão de comandar o Santa Helena Esporte Clube, que disputa a segunda divisão estadual.
A empreitada começou em 2016 quando ele foi visitar Yago Matheus, seu irmão mais novo, que é jogador da equipe goiana.

"Eles precisavam de alguém para trabalhar na parte administrativa da diretoria e me chamaram. Nos últimos quatro meses eles tomaram a decisão de entregar a diretoria porque não estavam dando conta. Como tinha feito um bom trabalho, surgiu a oportunidade de eu montar uma chapa para concorrer à presidência. Como fui o único candidato acabei eleito", contou o presidente, ao ESPN.com.br.

Feliphe diz que a idade não é um empecilho e não sofreu desconfiança ou preconceito.
"Eu fiquei sabendo há pouco tempo que era o presidente de clube mais novo do Brasil. Aqui na cidade eles não ligam por eu ser novo. Arregaço as mangas e tento fazer o melhor".
"Estive com a maioria dos representes dos clubes de Goiás na federação para uma reunião. Eu me sinto bem à vontade com eles, me receberam muito bem. Até mesmo times como Vila nova e Goiás me deram essa abertura por terem visto minha força de vontade".
ELE VENDEU HOT DOG
A família Martins, natural de São Paulo, é bastante envolvida com o mundo da bola. Apenas Feliphe não é jogador profissional, já que seu irmão mais velho é o zagueiro Paulo Martins, que atua em Omã e já defendeu a seleção de Timor Leste.
"Desde pequeno gostei de futebol, mas não tinha o mesmo talento dos meus irmãos (risos). Nossa vida era mais humilde e com 13 anos fui trabalhar como caixa em uma lanchonete que vendia salgados".
Ele conciliou a rotina de trabalho com os estudos e desistiu cedo de fazer uma carreira dentro dos gramados.
"Depois, fui vender hot dog na rua também. Continuei estudando e fui trabalhar com telemarketing, até que entrei na faculdade de engenharia. Como meu pai sempre mexeu com bola eu o acompanhava. Ele fez cursos de gestão esportiva e me passava o que aprendia porque eu me interessava".
Feliphe conta com a ajuda e os conselhos de seu pai, que ainda mora na capital paulista, para administrar o Santa Helena.
"Por um período ele deu suporte financeiro para o clube. Ele hoje é empresário em São Paulo na área de marcas e patentes, agenciador de jogadores e agora tem uma escolinha de futebol em Miami".
Além disso, ele procura se especializar cada vez mais, participando de cursos as CBF e de gestão e marketing esportivo. "Gosto de estar sempre atualizado e compensar a pouca idade e experiência com estudos. É uma coisa importante e muito necessária para todos os dirigentes se aprimorarem".
PLANOS AMBICIOSOS PARA O CLUBE
Logo que assumiu o clube, uma das primeiras medidas do presidente foi implementar categorias de base. Além disso, o time estava fazendo uma campanha muito ruim na segunda divisão no Campeonato Goiano.
"Em época de campeonato eu sou mais linha dura. Sou um cara que gosta de conversar, ter uma relação com todos. Mas quando vejo algo errado, eu procuro resolver. Não passo a mão na cabeça de ninguém, independentemente de quem seja".
"Estávamos com problemas e quando tive autonomia eu tomei uma atitude. Mandei dez jogadores embora de uma vez porque não tinham comprometimento com o clube. Não era esse o perfil de atleta que queria".
Ele acredita que as atitudes tomadas foram fundamentais para o Santa Helena permanecer na Segunda Divisão. "Eu não podia jogar dinheiro fora. Agora temos objetivo de subir para primeira divisão ano que vem".
O jovem tem planos ambiciosos para o futuro do clube que comanda. "Eu busco parcerias com times grandes para troca de jogadores. Fiz visitas em alguns deles, incluindo o Santos. Estou profissionalizando todos os departamentos. Com os pés no chão, quero fazer tudo com saúde financeira em dia".
O modelo de gestão que inspira Feliphe é o da Chapecoense, que conseguiu uma ascensão rápida nos últimos anos. "Eles não tinham nenhuma divisão do Campeonato Brasileiro e sem precisar sair da realidade deles chegaram até a elite do Brasileiro e na Sul-Americana".
A ideia é envolver cada vez mais a comunidade local para fazer o Santa Helena crescer. Ele quer ver o clube chegar até a Série A do Goiano.
"Estamos buscando um plano de marketing e plano sócio-torcedor pra que a cidade possa estar mais junto com o clube e tenhamos mais receitas. Quero fazer o time ganhar espaço no cenário estadual e com isso termos mais torcedores. Meu sonho é ver o estádio cheio sempre".
Fonte: Mundo ESPN

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