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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O Futebol chinês além do brasileirão

Cada vez mais ricos os clubes chineses conseguem hoje contratar jogadores melhores e mais caros do que os que estão no brasileirão

Por: Heitor Valente

Nos primeiros 15 dias de janela de transferência da China, nenhum time da primeira divisão da liga mais rica da Ásia contratou sequer um atleta vinculado a uma equipe brasileira. E o cenário não deve mudar muito até o início da temporada, em março.

Afinal, são poucos os jogadores daqui que despertaram o interesse chinês recentemente: Marinho, Lucas Pratto, Lucas Lima (pelo menos segundo seu empresário, que se recusa a dizer qual é o clube que deseja o meia do Santos) e praticamente mais ninguém.
Mas o que aconteceu ao longo dos últimos 12 meses que fez o Brasil deixar de ser o principal local de captação de jogadores estrangeiros para o Campeonato Chinês?
Podemos citar a relação entre agentes e consultores e o poder financeiro crescente do país, dentre os principais fatores.
O consenso geral entre agentes e consultores é que a China é um bom lugar para se ganhar muito dinheiro. Mas o futebol no país não estaria se beneficiando dessa moda. "Muitos treinadores e jogadores estrangeiros recebem propostas para fazer uma viagem de um ano à China", critica Wu Jingui, diretor esportivo do Shanghai SIPG. "Eles fecham um contrato de três anos, mas jogam apenas um ano, esperam pela transferência e continuam embolsando o salário chinês."
Cada vez mais ricos (e sem nenhum indício de que esse crescimento esteja próximo de bater no teto), os clubes chineses conseguem hoje contratar jogadores melhores e mais caros do que aqueles que o mercado brasileiro tem a oferecer.
É isso mesmo, o futebol do Brasil ficou pequeno demais para os tamanhos da ambição e do dinheiro da China.
Basta dar uma olhada nos maiores nomes contratados nos últimos anos pelos times do país mais populoso do planeta para constatar isso.
Entre 2013 e 2014, os grandes reforços da Superliga Chinesa foram Montilo e Vágner Love. Um ano depois, Ricardo Goulart, Gilardino e Diego Tardelli. Na temporada passada, Alex Teixeira, Renato Augusto, Ramires, Gervinho, Gil, Hulk e Jackson Martínez. Agora, Tevez e Oscar.
Já gastaram mais de 400 milhões de euros na compra de jogadores em 2016, reflexo do desejo do governo chinês em transformar o país em uma potência do esporte até 2050.
Além disso, boa parte do primeiro escalão do futebol mundial recebeu nos últimos meses alguma oferta tentadora para ir jogar na China. E quando falo em primeiro escalão, estou falando de Messi, Cristiano Ronaldo, Rooney, Diego Costa…
Some-se a isso o fato de a China ter um limite bem rígido de apenas cinco estrangeiros por clube e de, a partir de 2017 só poder escalar três deles em uma mesma partida, e temos o cenário que afastou os clubes de lá do mercado brasileiro.
Enfim, se há pouco espaço para atletas estrangeiros e os times chineses têm dinheiro suficiente para contratar (ou ao menos sonhar) com grandes nomes estabelecidos na Europa, por que eles gastariam essas vagas com os jogadores de menor impacto que os clubes brasileiros têm a oferecer?

3 comentários :

  1. É isso, a China e seu monte de Renminb

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  2. Texto consciente e com um conteúdo interessante, parabéns ao autor.Aguardando os próximos...

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