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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

MLS e sua evolução lenta, gradual e segura

O futebol nos Estados Unidos e a sua forma diferenciada de gestão do esporte

Por: Heitor Valente

Quando se fala em mercados alternativos no futebol atual, logo pensamos na China e em alguns países do oriente médio dentre os principais destinos. Porém, quando se fala em futebol nos Estados Unidos, a evolução ocorre de mane ira gradativa e de forma relativamente lenta.

Negócio sustentável

Pois, apesar de o país ser reconhecido pela sua liberdade econômica, nos esportes, os controles são mais rígidos. Na MLS, não é possível fazer contratações como ocorre na China. Os motivos se devem pelo fato de que todos os clubes filiados à liga são sócios dela. Assim, se uma franquia gastar demais, acabará prejudicando as demais participantes. Além disso, os times precisam respeitar um teto salarial(algo que é comum nas ligas americanas),e que atualmente está em US$ 3.660.00,00.

A liga e as franquias possuem o objetivo de serem lucrativas e gerarem dinheiro e para isso precisam desenvolver projetos a longo prazo.  Gastam com estrelas internacionais, despertando o interesse dos estadunidenses pela liga e assim gerando dinheiro. Segundo Marcos Sergio Silva, editor da PLACAR, a MLS barra investimentos milionários para o campeonato seguir competitivo. “Para uma liga ainda em processo de consolidação, acho bem pertinente. A queda da NASL está meio associada a isso: investimentos vultuosos, sobretudo pelo Cosmos, que culminaram com a falta de competitividade entre os times – houve até uma tentativa, com investimento no Los Angeles Aztecs, justamente para fazer frente ao protagonismo de Nova York, e levaram até o George Best –, e, depois, com a falta de dinheiro.

Os times da MLS precisam funcionar como empresas. Devem gerar receita para poderem gastá-las. O crescimento da MLS está diretamente ligado com o aumento do interesse do público interno e externo pelos jogos da liga, consequentemente vendem mais camisas, aumenta a venda de Pay Per View, espaço na mídia e etc. Tudo isso traz mas dinheiro aos clubes e permite a eles aumentarem o teto salarial dos jogadores, fazendo a Liga ser mais atrativa a jogadores renomados.

A MLS sabe que não pode usar o mesmo modelo que o futebol chinês usa, pois lá ninguém vai parar de assistir NFL ou a NBA para assistir MLS. Eles não apenas querem crescer devagar por medo de quebrar (como ocorreu na NASL), mas eles são obrigados a isso. Mas o futebol na China cresce de forma desenfreada (até mesmo porque o país inteiro cresce de forma desenfreada), pois lá não tem NFL, NBA, MLB ou NHL pra competir com o futebol deles. Enfim, são modelos diferentes porque são países diferentes com culturas diferentes.

O Teto salarial e os jogadores designados

Cada time pode gastar até US$ 3,66 milhões por ano, somando todos os salários. O elenco deve ter até 28 jogadores, sendo que 20 são principais e 8(4 são da lista suplementar e 4 da lista de reserva) que não contam para o orçamento salarial do clube. Significa que, com 20 jogadores, se todos ganhassem o mesmo, o salário médio do time seria US$ 183 mil por ano, ou US$ 15.250 mil por mês. Não sendo muito atrativo, incluindo para os jogadores que atuam na América do Sul.

Porém, a MLS se tornou reconhecida pelos jogadores renomados que lá passaram como Beckham e Henry, assim como os que jogam lá atualmente como Villa, Pirlo, Giovinco e Kaká. Esses jogadores se encaixam na lei de jogadores designados da MLS, que permite que as equipes tenham em seu plantel até três jogadores acima do teto salarial(que atualmente é de $60,000 por mês),não podendo ultrapassar $457,500 por mês. Diante disso, os jogadores mais badalados ficam limitados e estes não possuem um salário tão elevado quando comparamos com o futebol chinês, pois Kaká que é o mais bem pago da MLS recebe $7,167,500 anualmente, situando-se assim em 15º na lista dos mais bem pagos na china. Contudo, a questão cultural influência na decisão de certos jogadores, pois nos Estados Unidos, além de pagarem bem, tem qualidade de vida para a família, recebem em dia, além de ter visibilidade.

Por enquanto, continua sendo importante para a liga contratar atletas com fama internacional como Pirlo, mais do que um destaque do futebol brasileiro como Lucas Lima, por exemplo. Os resultados comerciais valem mais do que os esportivos, neste aspecto, para manter a sustentabilidade do negócio. Com isso, muitos dizem que a MLS é uma liga para jogadores em fim de carreira, mas atualmente possuem o Giovanni dos Santos e o Giovinco como exemplos que contradizem essa ideia.

Números do crescimento

Apesar do futebol americano, beisebol, basquete e hóquei serem mais populares nos Estados Unidos, o futebol vem ganhando destaque nesse contexto. A MLS possuindo a 6ª melhor média de público entre as principais ligas do mundo é um exemplo disso. Tendo apenas 10 franquias quando o jogo começou em 1996, mas as equipes continuam sendo adicionadas.  Atualmente, são 22 franquias, com projeção para 28 por aproximadamente 2020.

E se antes os melhores jogadores jogavam fora do país, hoje grande parte da seleção atua nos Estados Unidos, como no último jogo da seleção contra a Jamaica, que apenas o lateral Villafaña atuava fora do país.

De acordo com Gary Stevenson, presidente e diretor geral da MLS, em 2015,marcou a primeira vez em que a temporada regular da MLS foi transmitida ao redor do mundo. A audiência total bruta foi de 30 milhões em 2015, o que foi um aumento de 50% a partir de 2013 e um máximo de todos os tempos para a MLS. Mais importante ainda, por razões de patrocínio, a audiência bruta foi de 17,3 milhões entre o desejado grupo demográfico de 18 a 49 anos, representando um aumento de 25% em relação a 2014 entre esse grupo.

Mais de 140 países assistiram a um jogo da MLS em 2015. Em todos os negócios internacionais, o alcance da MLS era de 400 milhões de assinantes.

"Foi mais exposição e distribuição mais ampla do que qualquer coisa que já tivemos", disse Stevenson.

MLS não está apenas preocupado com a quantidade de distribuição. Stevenson deixou claro que está orgulhoso de ter a MLS distribuída pelos principais distribuidores em todo o mundo - Sky Sports no Reino Unido, Eurosport na Europa e FOX Sports África.

"Essa qualidade de distribuição é tão importante quanto a quantidade", acrescentou Stevenson. "Nós ouvimos falar de muitos jogadores internacionais que têm acesso a jogos e dizem que nunca sabiam que a qualidade do jogo era tão boa. Eles estão dando uma olhada na MLS e pensando de forma diferente, porque agora podem assistir aos jogos".

Capturar ainda mais a demografia 18-34 é a chave para o sucesso da MLS,e Stevenson quer dar um passo adiante e certificar-se de que a liga também está focada no setor multicultural dentro desse grupo. MLS já está fazendo bem com a prestação de um produto que o demográfico acima está disposto a assistir.

"O número que se destaca é 65% da audiência do MLS é adulto 18-34", disse Stevenson. "Compare isso com outros esportes, é o mais alto ou segundo maior e claramente o segmento de crescimento que a maioria dos comerciantes estão procurando."

Patrocínio local, vendas de bilhete de temporada e números de atendimento estão todos acima de dois dígitos, por Stevenson. A audiência digital é de até três dígitos em alguns aspectos.

De acordo com Stevenson, a métrica mais promissora para a MLS é a qualidade do jogo. A sua propriedade comprometeu-se a trazer jogadores designados e também a reforçar as suas academias, ao mesmo tempo que constrói a sua relação com a United Soccer League (USL), que ajudou a desenvolver os jogadores locais.

No entanto, Stevenson também admite que há espaço para melhorias, mesmo após uma campanha muito bem sucedida de 2015.

Os empecilhos

Dentre os empecilhos podemos citar a disparidade dos salários entre as estrelas e a maioria dos jogadores da liga como um dos grandes problemas para a MLS lidar. Do ponto de vista empresarial, como os americanos gostam de tratar os esportes, é um desafio grande. Com uma média salarial tão baixa, é difícil atrair – e segurar – jogadores de alto nível técnico. E a diferença de média salarial entre o campeonato mexicano e a MLS, sendo mais de duas vezes maior que da principal liga americana.

Outro fator que atrapalha os clubes estadunidenses é o calendário. Pois, os clubes nunca conseguem ganhar a ConcaChampions,por estarem um nível abaixo dos clubes mexicanos, pelo fato do calendário atrapalhar a competição em igualdade com os mexicanos. Quando chega as fases finais de mata-mata,as equipes da MLS estão sem ritmo de jogo e não são páreas para as equipes da liga MX. A questão do calendário é decorrente da concorrência com outras ligas americanas. Se espelhassem o europeu, bateriam de frente com a NBA. Da forma como é, evitam também a disputa por audiência com a NFL.Tomaram a decisão de solidificar a liga dentro dos EUA antes de pensar em mercados internacionais.

Assim como na NFL, na NBA, na NHL e na MLB, os times participantes da MLS jogam uma temporada regular e dependendo do desempenho dessas equipes nesta etapa, conseguem a classificação para os chamados playoffs, ou jogos de pós-temporada, que são as últimas fases até a conquista de um mérito. As más campanhas durante a temporada regular, no entanto, são imunes a rebaixamento, e isso é algo prejudicial aos times, que não têm uma motivação para consertar o que fizeram de errado ao longo do ano. Esta é a opinião de Carlo Ancelotti, que se alinha com a sociedade estadunidense, que defendem a ideia de promoção e rebaixamento, conforme o estudo a seguir:


Veja aqui o relatório completo: https://www2.deloitte.com/uk/en/pages/sports-business-group/articles/professional-club-soccer-in-the-usa.html


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