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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Transição da base para o profissional e o desperdício de talentos

Fatores que fazem com que o nosso país perca grande parte dos talentos quando chegam no profissional


Por: Heitor Valente 

Após a derrota do Brasil para a Alemanha na copa do mundo de 2014,surgiram idéias para a reformulação e reestruturação do futebol brasileiro.Estamos em 2017 e pouco se fez para mudar a situação na qual nos encontrávamos,continuamos ‘’queimando’’ jovens jogadores que possuíam um grande potencial nas camadas inferiores e que não conseguem demonstrar esse potencial na equipe principal e essa sucessiva perda de talentos refletem na qualidade do nosso futebol e consequentemente na seleção brasileira.As transições no futebol atual evoluíram,sejam as transições defensivas e ofensivas no campo,transições de jogadores para os clubes e a transição mais importante para a carreira de um jogador,que é a da base para o profissional e aqui continuamos cometendo erros.Dentre os fatores que devemos observar na transição da base para o profissional no futebol brasileiro,podemos citar:

Fatores educacionais e psicológicos

A maioria dos jogadores que estão nas categorias da base no futebol brasileiro,são oriundos de uma realidade complicada e são vistos muitas vezes por eles ou seus país como uma ótima oportunidade para mudar a situação econômica de sua família.Este fator coloca uma auto pressão no atleta,causando um impacto psicológico e que pode acabar prejudicando sua carreira em momentos importantes.

Uma questão importante é que no momento da transição para o profissional,a exposição pública do atleta aumenta consideravelmente e a frequência para entrevistas,fotografias e vídeos também irá aumentar,mesmo com este jogador ainda não sendo titular.Outro fator relevante é a renovação do salário do jogador,que geralmente acontece após a transição assumir um caráter efetivo,este salário tendo um aumento substancial,irá causar mudanças na vida do atleta,podendo afetar o seu desempenho,portanto é necessário avaliar o impacto da mudança de poder aquisitivo.

Ainda possui a diferença da atmosfera entre a base e o profissional,no Brasil não possuímos uma integração lenta e gradual como em outros países.Os jovens saem de campeonatos de baixo nível técnico,campos em condições alarmantes e estádio praticamente sem torcida para jogar com atletas mais experientes e diante de uma pressão muito grande por resultados e ainda há o caso de alguns que sobem para o profissional,e ficam sem ser aproveitado durante um período crucial em sua carreira.Fazendo um paralelo com a vida prossional em outros segmentos: com 17,18 anos você sai do ensino médio para adentrar no meio universitário e com 22,23 anos a sua percepção de mundo é muito diferente.Com jovens atletas não é diferente e ele ainda está em um processo de maturação.

O IMEDIATISMO DO FUTEBOL BRASILEIRO

Este imediatismo se apresenta,dentre outras,na troca constante de treinadores,no número elevado de contratações desnecessárias,na pressão por resultados  e estas ações acabam refletindo nos jovens jogadores.

Para que a transição de um jogador ocorra de maneira eficiente,é preciso respeitar as suas peculiaridades e sua maturidade física,precisando ainda ter paciência e confiabilidade nos atletas,algo que é difícil na situação atual pela pressão de resultados que faz com que o treinador escolha jogadores mais experientes em detrimento dos jovens,ainda vale dizer que quando o treinador não possui um tempo considerável no clube,este não irá saber escolher de maneira cautelosa as melhores peças para integrarem o profissional.

Outra questão importante é o elevado número de contratações dos clubes e os constantes desmanches dos elencos no futebol brasileiro.Os clubes contratam muitos jogadores,ficando com o elenco inchado e com muitos jogadores com salários altos e sem serem usados e os jogadores da base que possuem uma identificação maior com o clube,são pouco utilizados,geralmente recebendo oportunidades quando o elenco principal fica repleto de jogadores indisponíveis para o próximo confronto.

O descaso com os times B e o sub-23

Quando se busca uma transição para o profissional eficiente,espera-se que o atleta entre no time principal com totais condições de se efetivar,buscando espaço entre os titulares,com a moral e aptidão física adequada.Porém,quando essa transição ocorre do sub-20 para o principal,a realidade é muito diferente,no Brasil não temos como em outros países da América do Sul e europa, de ter campeonatos de times B/sub-23,para ir lapidando o jovem,colocando-o em outro ritmo de treinamento,jogos mais intensos e competitivos,de forma a colocá-lo no profissional mais bem preparado e ajustado com o tipo de jogo que é apresentado.

Ainda apregoa-se a ideia de que quando o clube não estiver com a situação financeira saudável,irão aproveitar muitos jogadores da base.De certo modo,parece uma boa ação dos dirigentes,porém aproveitar muitos jovens jogadores em um curto espaço de tempo,realocando-os para o profissional onde a exigência é maior em muitos aspectos, a chance de ‘’queimar’’ a maioria dos atletas é muito grande.Pois os mesmos não tiveram a oportunidade de sentir uma pressão maior em campeonatos com uma maior exigência,similar ao profissional,como ocorre em uma equipe B ou em um sub-23.

Falta um plano de carreira eficiente

A possibilidade de um jogador de categorias de base se tornar profissional no Brasil é muito baixa,mesmo para aqueles que estão no sub-20,a situação não é diferente.Jogadores que não estão em condições de integrar a equipe principal ou que estão com uma idade que não dá condições de atuar em uma competição de base,comumente tem seu contrato rescindido ou emprestado até a expiração do contrato do atleta.Os clubes precisam fazer um plano de carreira para aqueles jogadores que não serão aproveitados de imediato na esquipe principal,fazendo parcerias com clubes que entendam sua linha de trabalho e desenvolvimento de atletas,visando o progresso de suas carreiras,para que o jovem não fique desamparado após acabar o contrato com o clube,com objetivo de uma direção saudável para a carreira do atleta,assim ajudando o clube e o jogador.Atualmente temos vários jogadores que precisaram  sair  do  clube, seja  emprestado  ou  não, para estourar e em outro momento, voltar a figurar em equipes de maior expressão.

Em suma,a idéia é a formação de equipes B/sub-23 e a competição para estas equipes,clubes possuírem equipes satélites,parceiros ou até mesmo uma filial,uma linha de trabalho bem planejada,indo desde o departamento de scouting até o tipo de jogador para o time principal,ações visando o desenvolvimento de médio-longo prazo,seja para o treinador do profissional ou em um tipo de investimento especifico nas categorias de base.

Um comentário :


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