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segunda-feira, 16 de abril de 2018

Segunda tela, esporte e interação: Um campo pouco explorado


Por: Welerson Chagas 

O conceito de segunda tela é utilizado no meio da comunicação para se referir a um dispositivo com internet (geralmente celular ou computador) que é utilizado para comentar algo que está sendo transmitido pela televisão. É um fenômeno que já está estabelecido, no mínimo, há 5 anos. Canatta (2014) diz: “Num contexto de crescente difusão da internet no país e da forte presença dos brasileiros nos sites de redes sociais, o hábito de levar a discussão sobre a programação da TV para a Web é cada vez mais comum.”

A intenção/motivação desse artigo surgiu de uma constatação sobre uma pesquisa que fiz em novembro de 2017, intitulada “Como as Pessoas Assistem Futebol nas Redes Sociais?”. Dentre diversas perguntas feitas no questionário, uma, em especial, buscava saber das pessoas se elas tinham o hábito de assistir uma partida e ao mesmo momento está online nas redes sociais. 75% dos entrevistados disseram que sim.

Será que as emissoras de televisão enxergam nessa constatação uma oportunidade de engajar e fidelizar mais o seu consumidor? O que pode ser feito além da tradicional participação com hashtags para enviar perguntas?

Temos bons cases no Brasil onde o estímulo as pessoas a fim de que fizessem parte das transmissões através das redes sociais tiveram repercussão e impacto positivo para os canais televisivos esportivos. A interatividade que é traga através da lógica das redes sociais é uma ótima mídia espontânea às empresas desse meio e ainda tem um grande potencial para evoluir.

A intenção do artigo não é propor ideias ou soluções para esse fenômeno atual e sim iniciar, desenvolver e promover um debate sobre como podemos melhorar e aperfeiçoar esse recurso. Os exemplos a seguir mostram que não é preciso um grande investimento ou abordar o emocional para ter uma audiência engajada com o produto que, no caso, são os programas ou eventos.

JOGANDO EM CASA:



O programa Jogando em Casa do Esporte Interativo talvez seja o melhor caso para ilustrarmos como a participação dos internautas é bem utilizada. A hashtag #JogandoEmCasa não funciona como uma plataforma de simples envio de perguntas para os analistas da atração, mas sim dá aos usuários do Twitter o poder de decisão das pautas que serão debatidas no programa para os telespectadores. Com esse formato, as pessoas definem quais assuntos mais interessam no momento e quais podem ficar para depois, ressignificando totalmente a lógica do broadcasting no qual quem apenas o programa decide a ordem dos temas comentados.

#NFLNaESPN

A hashtag #NFLNaESPN é habitual nas transmissões da principal liga de Futebol Americano no mundo. Há aproximadamente dois anos, a ESPN investiu, em forma de teste, a inserção na transmissão de fotos enviadas pelos assinantes assistindo as partidas. A iniciativa deu tão certo que a emissora mantém até hoje esse projeto e pode ser considerado como um dos fatores com que fazem que a audiência cresça ano após ano.


CRUZEIRO X FLAMENGO NO SPORTV:

O segundo jogo da final da Copa do Brasil entre Cruzeiro x Flamengo foi o ponto de partida para o SporTV criar uma campanha em que mudava o logotipo do player para azul ou vermelho de acordo com o volume de mensagens com as hashtags #CruzeiroNoSporTV e #FlamengoNoSporTV. Os internautas abraçaram a ideia e se engajaram para transformar o logo na cor que mais agradava.

Esses foram pequenos exemplos para mostrar que a internet e especialmente as redes sociais são ótimos aliados da televisão para fazer com que as pessoas se sintam parte da transmissão. Acredito que a humanização e a maior interatividade entre público - emissora seja uma fórmula de sucesso nos próximos anos. Entretanto, são poucas as referências que ainda possuem o mercado televisivo esportivo, talvez pelo pouco tempo de inserção na TV ou por falta de ideias criativas ou até mesmo pela falta de pensamento sobre o assunto. A verdade é que padecemos de uma participação maior de internautas nas transmissões, o que na minha opinião, é um erro, pois são os consumidores finais e que têm o poder de querer assistir (ou não) e comentar (bem ou mal) qualquer evento. Isso é bom para quem transmite, para os telespectadores e, principalmente, os patrocinadores que acabam tendo mídia espontânea em dois meios de comunicação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CANATTA, Fábio. TV E SEGUNDA TELA: Uma Análise do Horário Nobre no Twitter. Porto Alegre, 2014
Perfis do Twitter de: @Fernandofortes, @ R0nald0Miranda7 e @sportv

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